TODA NUDEZ

- Há dias em que eu me visto com roupas de SOL. São dias de sono e de poucas atitudes. Nesses dias o café tem o cheiro forte e o ar é seco e impregnante. Mas as cores são fortes e a luz é muita. Nesses dias de sol os meus olhos dóem e a preguiça me domina sem culpa. Tem sempre um ventilador ligado. Ar instantâneo, mas quente. E tem uma rede. E tem um livro. E tem banhos compridos e corpo despido. Alma despida. Nesses dias tudo é quente. E dentro de mim tudo é quente também.
- Há dias em que eu me visto com roupas da NOITE. E são dias inteiros de beijos e línguas e bebidas exóticas. E há música o tempo todo. Música sensual que provoca o corpo. Nesses dias eu seduzo. Eu me embelezo.. E fico vaidosa como se esperasse por alguém. Nos dias de NOITE eu mostro tudo o que há em mim, todas as minhas fases. E me expando. E me recolho. E me perfumo. Nesses dias eu canto e a minha voz é imensa e me redime. E eu me curo completamente.
- Há dias em que eu me visto com roupas de GULA. Nesses dias eu devoro tudo! Tudo é comestível. As pessoas que eu vejo, as idéias, os desejos, a rua, os dedos. Nesse dia eu me sinto satisfeita. Cheia de conteúdo e conhecimento das coisas. Eu sinto fome. Eu como. Eu saboreio. E guardo na memória um bom suprimento de paladares para que não me falte fome nos dias de caverna, de urso hibernando. Nessas dias eu amo, eu trepo, eu provo um pouco de tudo o que há nas coisas todas e bebo com prazer na taça da vida.
- Há dias em que me visto com as roupas do TEMPO. Nesses dias eu apenas observo, soberana, as coisas que me cercam. Vejo de cima! Estou no alto e de lá tudo é nítido e é tudo resposta. Um saber-de-tudo me é concedido. E eu então me reconheço imortal. E me vejo coragem diante do abismo.
- Há dias em que me visto com roupas do FIM. Essa estrada misteriosa que ninguém conhece ou sabe onde vai dar. Nesses dias eu escrevo. Porque é o único jeito de não acabar. Essa roupa eu não gosto de vestir. Ela é determinada pelo tic-tac constante do universo. Com essa roupa eu me visto de luta e rebelde que sou, eu espero. Nesses dias de FIM eu recomeço tudo o que posso e quero.
- Há dias em que eu me DISPO de todas as roupas possíveis. E minha alma nua diante de ti finalmente se revela como realmente é: Completa! Uma soma de todas as coisas. SOL, NOITE, GULA, TEMPO e FIM!

10 MIL RECADINHOS:

Zana disse...

Vai se fu... de onde sai essas inspiração de escrever, muito lindo, me sinto asim tbm, mas nunca consegui descrever, e vc conseguiu!!!bjus

Van disse...

Ai, brigada Zana.....
Tambem não sei de onde sai, sabia?
Um dia descubro!
Beijuca

Sir DoRego disse...

realmente abusou nesta...realmente ...as palavras ganham ritmo a medida que a leitura avança as palavras escritas ganham rimas...que não encontramos todo dia....nao encontramos e nem encontraremos.. realmente....são sonoras suas escritas..

dän disse...

van, de onde vem tantaaaa inspiração??? aff.. hehehe mulher, que PERFEITO isso.. parabens!

dän disse...

ah, vi q ja fizeram a pergunta sobre a inspiração agora e vc até respondeu ¬¬

droga.
hehehhehe...

mas é verdade, ultimamente vc anda FODÁSTIKA.

Day =] disse...

Noss...vc é demais mesmo hein...

Ricardo Rayol disse...

Muitas vestimentas a recobrem.. uma multifacetada personalidade mutante... belo texto querida.

Van disse...

RICARDO: Obrigada!!!!! São seus olhos, já disse! :)

Van disse...

Day: Brigadão, querida! Seja bem-vinda!!!!! Te dou aquela dica sim. Me add no msn. Beijuca

Gabriela Simionato Klein disse...

Oi Van,

Vim agradecer a visita e percebi que devo ampliar o "muito obrigada!". Afinal, por ela, cheguei aqui. Seu mundo particular tocou o meu. E hoje amo mais a Internet, nossa grande amiga em comum.

Beijos

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari