...SONHOS NÃO ENVELHECEM...

Só me resta uma certeza e uma sorte: a de que a alma envelhece mais lentamente. O tempo da alma é diferente do tempo do corpo. Enquanto o corpo - frágil invólucro - se desintegra aos poucos, segundo após segundo, a alma segue alimentando-se de tudo o há. Há em mim uma explosão? Pode haver sim, mas não é de juventude e sim de esperança. Esperança de que as mudanças não me afetem tanto e que me sejam brandas. Esperança de que a arte e a música sobrevivam. O tempo pode até ser implacável e cruel mas a alma.... Ah! Essa é resistente. Moldada em têmpera macia, quente e paciente. O espírito é forte e duro. E seguimos sobrevivendo, afinal. Mesmo que tudo aquilo que eu aprendi como sendo o certo desapareça ou mude, eu sobreviverei. A alma e os sonhos não envelhecem, eles evoluem. Eu posso mudar de rumo, eu posso até inventar de ser outra coisa que não essa pessoa que sempre fui e que escolhi ser... Posso até vestir outras máscaras e outras roupas... Mas meu espírito continuará desejando aquilo que se foi. Eu - intacta - sobreviverei a mim mesma. Embora carregue comigo uma eterna e insistente saudade do que eu era. Eu - metamorfose de mim. Envelheço o corpo, mudo a rota, distraio o destino.... E me alimento da minha própria alma. Aquela mais antiga que vive em mim. Aquela que a minha memória amou e por isso é eterna! Eu jamais esquecerei quem sou... Que o tempo venha e mude tudo. Eu sempre terei o que sou. Eu sempre terei a mim.

6 MIL RECADINHOS:

Better Things disse...

Belo texto, Van! Sou seu leitor atento e cada vez mais interessado.

Alê Namastê disse...

A alma não envelhece mesmo, só adquiri experiências.
Beijos*

Osc@r Luiz disse...

Moça dos olhos que encantam,

Coincidências...
Hoje pela manhã, acabei por postar sobre o "Tempo" no "Flainando".
Agora venho aqui, pra tomar um café com você, e olha só o que é que eu encontro...
Ainda bem que eu vim!
\o/
Beijão!

diovvani mendonça disse...

Lendo seu texto me lembrei desta canção:

CLUBE DA ESQUINA II
(Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges)

Por que se chamava moço também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço...

Por que se chamavam homens
também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio, de tudo se faz canção
E o coração na curva de um rio, rio...

E o Rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio, esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente ...

***

AbraçoDasMontanhasGerais

***

P.E.: Não sei como aterreizei aqui. Muito bom, conhecer sua casa! Eu também gosto muito de música.

diovvani mendonça disse...

Impares... Bela música!!!

diovvani mendonça disse...

"Veja Só" foi sua canção que mais gostei. Antes de você deixar o link eu já estava seguindo seus passos. AbraçoDasMinas

 
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