EU-CALEIDOSCÓPIO

A mim vão somando-se as coisas todas. Como se a cada dia eu acordasse mais completa. Como se cada minuto me enfiasse uma novidade no corpo. A cada dia eu me transformo em algo diferente. E o que eu fui, embora continue em mim, agora muda de lugar e se acomoda diferente pra caber o resto que chega. Um pouquinho pra lá, um tantão pra cá... E vão entrando as coisas: estrelas, mãos, beijos, fotos, amigos, sabores, magias, florestas, lagos, bebidas, frescor, sombras, orgasmos, borboletas, quadros, palavras, poemas, folhas, álbuns, memórias, bolhas de sabão, arco-íris, planetas, declarações, amigos, carrosséis, ventos, chuvas, luas, girassóis, imagens...
Cada coisa com seu gosto e seu tempo vai me mudando e me preenchendo. São precisas como o fato d'eu existir nesse corpo e nesse espaço. Tão certas como o meu olhar no teu. Tão indispensáveis quanto o teu olhar no meu.
As coisas que me invadem vão virando caleidospio. Movimentam-se gerando desenhos incríveis e coloridos. Nunca se repetem... São sempre um indo sem fim de combinações e formas. Assim também eu vou me tornando. Uma soma de tudo o que fui, sou e ainda serei.
A mim vão somando-se as coisas todas. Como se a cada dia eu acordasse maior. Como se a cada acordar eu transbordasse tudo o que sei, o que vi, o que toquei, o que desejei. E para me transbordar e me transformar, faço música... faço palavras. Essas que ofereço!
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Ainda em clima de primavera! Essa é uma gravação antiga que reencontrei há uns dias. Tirei-a da gaveta, limpei a poeira, entrei no estúdio hoje e dei um trato no arranjo. A base eu mantive a mesma, pois não havia jeito de mexer. Em alguns momentos, a corrosão causada pelo tempo se faz presente. Mas as marcas do tempo são inevitáveis. A voz é a minha (dez anos atrás). Mudou junto comigo. Vale o registro. Vale a música que eu cantei um dia. A música: que sempre foi o meu alimento e a minha cura.
QUERO (Thomas Roth)
Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó nem fumaça
Quero o mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável...
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris
Quero rodar nas asas de um girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua...


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Voz - Van Luchiari / Vocal, Violão, Bateria - Eduardo Tarlá
Baixo - Pedro Sossego / Samplers - Daniel Si! & Van Luchiari
(Gravado em 1997 - Metamorfoseado em 2007)

12 MIL RECADINHOS:

Cristiane Martins disse...

Mas que coisa mais xique não? Uma danceteria... show! Que pena que é em Sampa e eu sou gaúcha tchê!!
Ei, tu já cantou alguma música dos Beatles? Deve ficar lindo na sua voz. Fiquei imaginando tu cantando BLACKBIRD!! Eu amo Beatles. Tu costuma cantar? Posta umas aí pra eu me deliciar.
Bjo grande

Leticia disse...

Ah sempre me aliviando com tua voz doce...sempre lindo.

Cristiane Martins disse...

uhuuuuuuuuuuu
beatles rules
mal posso esperar

CESAR AUGUSTO DR disse...

Muito tri, Van. Vulcan. Tudo combina. O que falar diante de tamanha formosura? Que nunca se vá, Van. Haverá tons e sobretons pra te pintar. Faremos de ti uma cartolina de criança arteira, feliz. Baccio.

Tatá disse...

Sempre que venho aqui fico imaginando o que escrever; as palavras sempre se perdem por entre a emoção de ler e ouvir-te.
Eu só digo que vc me faz melhor, sempre.
Feliz de ter encontrado você.
"...pois você apareceu..."
Beijos com mais emoção

Erika disse...

Desde menina que adoro o caleidoscópio.
Acho que minha alma é como ele, cheio de figuras e cores, que se alternam.

Lindo o movimento... lenda a cara de "vitral"

E esta música me lembra bala de goma, no jardim de casa.

Beijos gêmea

nana' hayne disse...

Ahhh Van,

Covardia, rs...chegar aqui todos os dias e encontrar mais e mais destas figuras que vc é, se torna.
Bella, sempre cada vez mais bello o que vejo, o que sinto, o que ouço.
Fã...tem jeito não, rs

Ah...Há quanto tempo não ouvia esta música...fez parte de um tempo todo novo na minha vida, a gravação original, amei os efeitos... as bolhas de sabão então, TUDO!

Ficou feia, muito muito feia na tua voz (dizer que está linda, já virou lugar comum, rsrsrs).

bjs

Thiane disse...

A foto é demais!! E tem um meme pra vc lá no blog. Beijos

Ricardo Rayol disse...

Você mais que ninguem é mesmo um caleidoscópio.

Flávia disse...

Caleidoscópio... adoro. A sonoridade da palavra, a fantasia do efeito, a sensação do metamorfosear-se em beleza jamais vista e jamais repetida. Bem como você, Van: sonora, fantástica, de beleza completa e única.

Ouvi a música inúmeras vezes. E a doçura da sua voz é tão encantadora que nem o tempo teve a audácia de sequer tentar modificá-la.

Besitos!

Mila disse...

Já disse hoje que sou sua fã???
Não??? Então digo novamente.. Sou sua fã!!1 Vou fundar um Vanclube, o que acha??? hahahaha
Beijão e parabens!!!
Mila

Osc@r Luiz disse...

Dulce Quental - Caleidoscópio
Herbert Vianna

Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa

Quem vai pagar as contas
D esse amor pagão, te dar a mão
Me trazer a tona pra respirar
Quem vai chamar meu nome
Ou te escutar

Me pedindo pra apagar a luz
Amanheceu é hora de dormir
Nesse nosso relógio sem órbita
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Pra gente não ter nunca mais que terminar

Beijo!

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari