BAGUNÇADA!

Porque você chegou eu me baguncei inteira!

O meu silêncio agora é caos! E me grita bem alto coisas que deveriam ser sussurradas. Mergulho no meu vazio profundo (são águas profundas que me esculpem, você não sabia?) e o que eu descubro é que estou nua, completamente entregue e embebida... (de ti, talvez!) Imersa e perdida num cenário absurdo e surreal.
Você me fez labirinto, armadilha e mistério. Você chegou e bagunçou tudo. Enfiou as mãos em mim e mexeu em tudo. Já não existem músicas o suficiente. A luz do quarto está apagada. Uma vela balança a escuridão ao longe. Um cheiro finalmente úmido no ar. A noite me envolve...
E quanto mais mergulho, mais te vejo. E você é apenas mais uma sombra projetada na parede que há em mim. Uma fração, um pedaço de alguma coisa. Uma criação que eu inventei de complicar.
Eu te busquei? Não sei. Sei que tudo existe diferente. As coisas dentro de mim mudaram de lugar. Os móveis são outros. As cores na parede são outras. A vida virou turbilhão e o que era não é mais. Tudo mudou. Tudo transbordou. Eu que era de tempestades e raios, desloquei minha luz e minhas águas. Desviei o meu destino para ir existir em ti. Depois de ti, tudo ficou mais forte. Tudo cresceu e já não cabe mais no universo, já não cabe mais em mim. Minha morada agora é onde habita o teu silêncio e o teu caos.
Porque você chegou eu me baguncei inteira. Vivo segundos intensos e poderosos. A vida entra em mim diferente. Vejo com outros olhos o que era meu. Eu que era comum, tornei-me quase imortal. Tornei-me vento e caos!
Eu quero arder em você como quem acorda de uma febre. Eu me despejo aos seus pés. Eu me coloco em suas mãos. Cuide bem do que eu te dou! Porque sou frágil! Guarda-me bem em algum canto quente e úmido da tua gaveta. Ou dentro de algum livro raro. E ouve!
... Escuta o que eu te grito, silenciosamente. Escuta o meu silêncio eloqüente que lateja a tua vinda. Escuta o meu caos. Eu te ofereço tudo o que em mim é pra ser seu. Eu te dedico todas as coisas que por tua causa são outras em mim... Os meus lençóis amassados, o meu vinho derramado (e todos os meus outros derramamentos), o meu corpo revirado e mexido.

Olhe pra mim! Eu me encolho sob seus olhos (des)atentos. Me sinto cheia de desimportâncias. O que eu quero é ser importante... (pra você?)... (pra você!)... Quero marcar a sua vida como quem comete um risco no diamante, mas tudo o que eu sinto e faço vira silêncio. Tinha que virar canção, mas é silêncio. É escuridão. É avesso. É a casa que continua diferente. São meus olhos que se abriram para ti. É a noite que já chegou há tempos e bagunçou meu sonho.
Porque você chegou, eu me baguncei inteira. Já não sou mais o que era. Já não sei o que sabia. Sou só caos! Sou só silêncio! Tempestades e raios invadindo águas profundas......
Arruma-me! Cuida do que eu te dou...... Cuida de mim!

Por Van Luchiari ©

11 MIL RECADINHOS:

Adao Braga disse...

Trarei ordem em seu caos. O que voce era, já não importa, só o que és agora. Não precisas saber o que eras ou o que sabia... deixa isso comigo. Eu é que preciso saber o que eras antes, e o que sabias antes, isto é importante pra mim... e isto me faz entender suas tempestades, seus raios e estas águas profundas!!!

mercia disse...

Lindo!!! muito lindo!!!
obrigada :-)

Erika disse...

Lindo demais, gêmea.
Quase como "me desarruma e me chama de gaveta" e depois "Arruma-me! Cuida do que eu te dou...... Cuida de mim!"

Beijos e ótima terça

Léo disse...

Sempre muito bom bom...

"Arruma-me! Cuida do que eu te dou...... Cuida de mim!", não sei porque mas adoro isso "cuida de mim", gosto disso...


Obs.: eu te add no msn, mas ainda não deu tmepo de entrar, muita correria e tals, assim que der conversamos.


Beijoooosss

Antonio Ximenes disse...

Van.

Não tenho o que dizer.
Você se supera a cada dia em texto e idéia.
Você transforma o que é árido e triste em floresta frondosa e viva.

Quando disse:

"...Escuta o que eu te grito, silenciosamente. Escuta o meu silêncio eloqüente que lateja a tua vinda. Escuta o meu caos. Eu te ofereço tudo o que em mim é pra ser seu..."

O teu silêncio é o meu ruído mais gracioso.

Um beijo de corpo inteiro.

Luiz Cruz disse...

Ah! se eu pudesse. Esse tempo já se foi a muito tempo atrás, quando ainda com vaga e liberdade, conseguia arrumar coração, assim como se arruma uma ceia de natal, com amor, carinho, esperança e salpicado com mais amor. Feliz é o destinatario.

Abraços

Luiz

Paola a Estranha disse...

Hummmmm!
Lindo!
Beijucas doce-doce de morango.

Nil Brito disse...

Quisera eu ser o diamante a ser riscado por ti.
Tu não escutas o que grita meu silêncio?
Como arrumá-la, se tua chegada também me bagunçou?


bjs do avesso do lin,
quero dizer do inl,
ou seja, do nil
tá vendo o que fizeste?

Lord Broken Pottery disse...

Van,
Não perca as palavras, a arte. "Porque você chegou, eu me baguncei inteira...". Não perca esses versos. Faça música com eles.
Beijo

Thiago disse...

Também mudei meus móveis... E também fiquei feliz, quando vc chegou na minha vida... mas vc não bagunçou a minha vida, pelo contrário, vc veio pra torná-la brilhante, como seus olhos...

SEO Expert disse...

Your blog is very nice…. I like your blogs….

I will be available in online for link exchange from 9am to 7pm (IST)
For my chatting id:
gmail: fastlinkmaster@gmail.com
Skype: ananthakumar007

computer repair NYC service New york city

web design New York, web design Philadelphia

Web design India, web designer India

Search Engine Optimization

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari