MUDEZ


Um blues insistente toca o meu lamento.
Cordas dedilhadas em ladaínha.
Tormento.
Os dedos calejados, corroídos pelo aço oxidado.
Nada mais está ao meu lado.

Uma voz entoa o vazio que me fica.
Canto relutante enchendo de som o fim.
Pauta oca.
A voz ressecada canta o seu sangrar magoado.
Nada mais está ao meu lado.

Finda-se o som.
Tranca-se a voz.
Cala-se a boca.
Finda-se o dom.

Foi-se no tempo o meu canto, o meu fado.
Sinfonia invisível de um palco iluminado.
Teatro assombrado.
Caminhar desviado. Destino quebrado.
Nada mais está ao meu lado.


Por Van Luchiari ©

8 MIL RECADINHOS:

Rui Carlo disse...

Toca um reggae minha angústia,
inusitada ausência fugídia
como as intermináveis fugas de Liszt
que levam a lugar algum
que não seja o fundo da alma dorida.

Embala-me um samba-canção a solidão
bem cafona, bem piegas, bem bregão,
o cotovelo dói uma dor que invento
para dar sentido ao lamento
de estar só,
sem estar-com novamente.

Um silência sepulcral me embala o sono
e durmo sorrindo
pois todo morto é cínico
e se a morte vier sem dor
rirá tranqüilo de todos que choram

Paulo R. Diesel disse...

Um blues, um fado, a canção que se vai e que fica sobrevoando o infinito até se acabar.

Ainda penso que há algo ao lado.

Van disse...

RUI
Belo poema, Rui!!!!!

PAULO
Há? Então mostre-me!
Beijucas, querido.

Mestre Splinter disse...

Está belíssimo, isso... certamente que é um blues...






...pero, podria ser también una milonga, hehehe...



Gracias por tuas visititas e recaditos no chatbox... aliás, respondi ali algo sobre aquela questão tua do ''cantar''... fica com Deus!

Ígor Andrade disse...

Ainda está tudo aí Van. Procura direito.

Beijos!

Van disse...

MESTRE
Vou lá ler tua resposta, querido.
Um blues, uma milonga, um fado, um lamento... Meu canto sangra e evapora em nomes diversos. Vira poeira. Silencia.
E por dentro, grita!
Adorocê moço dos pampas!
Beijucas

ÍGOR
Ahhh, poeta!
A neblina é tão densa que eu não consigo ver. Por enquanto. Mas escrever me redime e me cura. Tudo cicatriza afinal. Até o silêncio.
Beijuca moço-querido.

mundo azul disse...

Van...Penso que o mais dificil é convivermos com nós mesmos...Estar só, muitas vezes é uma bela oportunidade de crescimento! Gostei muito da reflexão de seus versos...Beijos de carinho e muita luz!

Van disse...

MUNDO AZUL
Oi, querida....
Seja muito bem-vinda.
Momentos de solidão são fundamentais. Eu aprecio muito esses momentos em que posso estar só comigo e mais ninguém.
Adoro a minha companhia. ;)

Solidão mesmo é estar vazio.
O poema é sobre isso.
Sobre o vazio que fica quando algo se quebra, quando algo acaba, quando.....
É isso.

Beijucas, lidona.

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari