O DIA DE ONTEM


Acordou em mim o dia de ontem.
Dia em que estavas tu no meu sonho diário de ser feliz e resistir às rotinas tortuosas que minam meus orgasmos e tornam-me embotada e fria.
Dias de manhãs ensopadas de orvalho fresco que tu me trazias antes mesmo do meu despertar para molhar meus seios e meus lábios com umidade e alívio.
Músicas que me elevavam e completavam, como se nunca mais fossem me faltar as peças que eu precisava. Porque tu me preenchia os vazios e o silêncio. Porque tu estavas na minha pele com as tuas unhas cravadas nos meus poros. Porque tu me presenteavas os perfumes da vida lá fora, da vida outra que não essa presa nesse espelho afiado.

Acordou em mim o dia de ontem.
Era quando tu existias, vibrante e intenso e despertava comigo as coisas profundas que habitavam nossas madrugadas vazias.
Era quando em tudo insistia um acreditar teimoso de que o tempo é mesmo relativo e tudo ao redor poderia ser nosso. E os relógios magicamente rodavam pra trás. E nós nos encontrávamos nesse lapso de tempo-espaço onde existem os sonhos. E existíamos intensamente. E existia uma apaixonada devoção ao destino que nos aproximara tanto e por caminhos tão certos e misteriosos.

Acordou em mim o dia de ontem.
Acalentou minha aflição de ter te perdido sem nunca ter tido. Invadiu o meu sono e adormeceu o meu hoje já anestesiado pelo teu abandono. E silenciou a canção do futuro que imaginei ao teu lado. Aquela voz antiga e doce que me sussurrava êxtases ao encostar os lábios na minha vida, no meu ouvir. Aquele gemido que se projetava na distância incômoda de fios embaralhados e densos que a nossa vontade embora tamanha, não tinha força nem mágica suficiente para transpor.

Depois adormeci. E ao acordar já era hoje e tu já não existias mais aqui.
Adormeceu o dia. Adormeceu a luz que com ele beijava minha pele e fazia-me viva. Adormeceram as tuas mãos que me davam as sensações de ser intensa e gozo e corpo entregue, embevecido e embebido de fluidos, gemidos e suspiros.
Adormeceu em mim o dia de ontem. Virou hoje.

E hoje não há mais nada.


Por Van Luchiari ©

7 MIL RECADINHOS:

Flávia disse...

O dia de ontem, pra mim, adormeceu. Desses sonos que a gente espera que não tenham um despertar. Amanheceu pra mim o dia de hoje. Muito, muito mais interessante ;)

I love you, xuxu.

Beijo!

Paulo R. Diesel disse...

Um dia adormece, mas há, infinitamente, o despertar de outro, atrás de outro, dia.

Bj, Van

LoLa disse...

Como o Paulo disse sempre tem um dia após o outro.
Bom final de semana amore mio.
bjos

Van disse...

FLAVIA
Tô percebendo amore, pelas coisas que você anda escrevendo.... Tão bom ver que coração se regenera. Tão bom ver que nada em nós morre quando nos matam um pouco diariamente, a cada história mal-vivida.
Tão bom....

PAULO
Sim. Há.
E eu amanheço em todos eles.
Mesmo quando vou dormir muito tarde. (Quase sempre!) É sempre tempo de acordar.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Beijucas, baby e mais uma vez e como sempre, obrigada por vir.

LOLA
Amo você!
Bom finde. Nos falamos.
Beijucas

Van disse...

Puta-que-las-trapa-porra!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cadê o povo desse blog???????????????

Ei povo. Eu existo!
E gosto de comentários!

Humpf!

Rui Carlo disse...

Eis-me no dia de hoje
ausente constante
sempre presente
com tanto a aprender
tanto a perguntar
que re-construir
que re-viver.
Tento me cuidar, me descuidando
tento providenciar o futuro
negando o presente
aqui tudo é muito difícil
e me exilo dos amores
dos gostos
dos comentários

Sinto-me muito presente ainda,

Van disse...

RUI
E está!
Beijuca

 
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