QUASE VOCÊ!

Eu que não te conheço os dias e as noites. Eu que não te conheço os gostos e os cheiros. Eu que não decifro os teus sorrisos e olhares. Eu que nada sei de ti. Eu que nunca te preparei um chá, nunca te fiz um café, nunca um jantar. Eu que nunca fui tua colombina. Eu que nunca cantei pros teus ouvidos. Eu que nunca senti tua boca na minha. Eu que não sei da tua letra, dos teus escritos. Não sou nem nunca fui tua musa. Eu que não te conheci desde a infância. Eu que nunca te soube as manias e as chatices. Eu que nunca deitei sobre ti, nunca senti, nunca gozei, nunca comi. Eu que nunca te levei pra passear. Nunca um parque, um cinema, um bar. Nunca um jardim. Eu que não tenho uma música pra te dar. Que não conheço as tuas rotinas, as tuas coisas prediletas. As tuas cores, as tuas entradas. Eu que não sei teu livro de cabeceira. Eu que não te ouço falar, gemer, gritar, ofegar. Não te abro as portas. Não te abro as pernas. Eu que nunca mordi o resto das tuas frutas. Eu que nunca comi tuas sobras e nem lambi tuas partes. Eu que nunca joguei fora os teus antigos. Eu que nunca dividi um sorvete, uma cama, um repente, um boquete. Eu que nunca me dei pra te fartares. Eu que não vejo os teus banhos, os teus sonhos. Eu que não observo teu sono. Que não embaraço teus pelos. Que não me enrosco em teus cabelos. Eu que não pronuncio o teu nome a não ser em pensamento. Eu que nunca te esperei voltar do trabalho. Eu que nunca te dei um presente. Que nunca encostei minha língua quente no teu arder mais profundo. Nunca engoli tuas latências. Não senti teus viscosos e teus odores. Eu que nunca tirei férias contigo. Nunca uma viagem, nunca um avião, um mar pra fazer amor. Eu que nunca estive por perto. Não morei na mesma rua. Eu que nunca te vi. Eu que nunca te vivi. Que nunca te chamei de benzinho, xuxu, meu amor. Eu que nunca abri tuas gavetas. Nunca deixei bilhetinhos. Nunca tirei contigo uma fotografia sequer. Eu que nunca te tive, morro de fome e vontade. Eu que não te conheço. Eu que nunca te existi... EU SOU QUASE VOCÊ!

Por Van Luchiari ©
*Gustave Klimt - O beijo

Se você ainda não conhece, visite o SECRET LOVE. (Proibido para menores)
Deliciem-se. Ou não. Comportem-se. Ou não. Comentem.


17 MIL RECADINHOS:

Profº. Eric Frantto disse...

"Você que nem sempre está por perto, mas sempre me faz voltar"...
Abraços, princesa!

Walter Rodrigues disse...

Gostei das anáforas. O texto prende, prazeroso de se ler, de se sentir.
Bjuss, Van.

Fernando Grassi disse...

Lindo Van,

Do texto se extrai que o "nunca" e o "quase" podem ser mais completos, inteiros e intensos do que o "consumado".
Raro mas possível.

Rafael Terra disse...

Oi!
Te convido para visitar minah nova casa:
http://www.clicrbs.com.br/terradorafael
Abração, Rafael

Van disse...

ERIC
Ahh, que lindo querido! Fiquei metida agora! Tô em falta com você, sei disso. Mas espera a correria passar e eu volto. Estarei sempre por perto. ;) Beijucas

Walter
Brigada, moço. =) Tuas palavras são sempre um prazer pra mim também. Sabe que já fui criticada por usar tantas repetições assim? Também já fui criticada por não usar parágrafos. Mas quando vejo, já fiz tudo desse jeito: sem parágrafos e cheio de anáforas. hehehe Que bom que você gosta assim. ;)
Beijucas

FERNANDO
Tem toda razão. Porque o sentir profundo independe de tempo, espaço, distância física... Sentir é mais! Por isso, completo. E quer saber? Totalmente possível! Interessantíssimos os teus comentários. Adoro.
Beijucas

RAFAEL
Tô indo lá, moço! =)

Teu disse...

Van, minha linda,

Cada vez mais inspirada! E a inspiração não vem do nada. Aposto! Junte a fonte e o cântaro e está tudo completo.

Edu Grabowski disse...

Caramba...
=X (completamente mudo!)

ADOREI DEMAIS!

Beijo linda Van.
Adoro-te!
Edu.

Van disse...

TEU
Ahh, essas fontes murmurantes!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

EDU
Meu querido amigo, tuas palavras, mesmo que você não as diga, me dizem muito. Também te adoro. Beijucas

Victor Oliveira Mateus disse...

Van,

fui apanhado de surpresa: andava
há bastante tempo para passar por
esta "casinha mágica", mas, com
tanto trabalho, deixava sempre
para o dia seguinte... Hoje vim.
Entrei. E fui colhido pelo teu
texto... É belo! E eu, que às vezes até escrevo prefácios e arti-
gos, agora não sei dizer mais nada.
Nós aqui temos uma expressão: o
fulgor do texto "deixou-me sem
pinga de sangue"!
Um beijo.

Paulo R. Diesel disse...

Este texto me lembra uma história que me lembra um texto que...não, deve ser mera coincidência.

Beijo, Van

Van disse...

VICTOR
Uau!!!! Muito obrigada querido. Uma delícia ouvir isso de alguém como você, que entende de poesia como ninguém e sabe escolher com perfeição. Uma honra.
Deixou-me envaidecida.
Beijucas

PAULO
Se te lembra coisas boas então está tudo bem. ;)
Beijucas

Josadac Santos disse...

Van
Embora não seja lá uma pessoa muito poética, sinto, assim mesmo, em suas poesias uma sensibilidade especial, de quem fala para o íntimo das pessoas. Parabens!

Van disse...

JOSADAC
=))) Poxa! Obrigada querido. Fico feliz que tenha gostado do que escrevi. Beijucas

Anne disse...

Vc sempre consegue me deixar sem palavras, mas vou tentar encontrar algumas...

Lindo demais esse texto, me fez em pensar no quanto as coisas imaginadas podem superar as vividas de fato. Mas para vivermos de fato, tb é preciso sonhar... credo, estou meio "viajante" hoje, liga não...rs.

Bjos, linda!

Van disse...

ANNEZINHA
Minha linda.... Imaginar, fantasiar, pode ser mesmo mais presente que muitas coisas que estão ao nosso alcance. Mas é isso que nos mantém criativos. O sonho alimenta a vida, não é? Pois então. Sonhemos! E muito!
Te adoro, linda. Beijucas

Mestre Splinter disse...

Acho que já te disse isso, mas reintero:

-Tu, que nunca me viste e dificilmente verás, estás por siempre dentro de todos nós, aqueles a quem essas tuas palavras fazem tremer...








PS.: Gosto de anáforas, mas sinto falta dos parágrafos, hehehe...

Van disse...

MESTRE
Aiii que tremer é uma delícia! Dentro de ti. Sempre. Levo minhas palavras e minha música. Pode?

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari