CARTAS AO POETA - DOS DESEJOS


O desejo me confunde, poeta. Faz-me doer essa latência esquisita de não te ter quando a noite cai. Porque tu sempre desapareces quando a escuridão das estrelas chega às minhas mãos. Sou sempre sozinha quando não há você por perto.
Esse súbito amor me revira. Sinto tudo do avesso. Meu corpo, minha mente, meu gozo... tudo está bagunçado. À noite, quando a tua imagem teima em fugir de mim e habitar outros mundos é que eu sinto essa dor incômoda feito farpa enfincada na pele. Essa demora que não te tem, que não respira teu ar, que não sabe nem o toque nem o gosto da tua língua em mim e em minha boca e em meu sexo. Meu sexo, este sim latejante de ti.
Meu corpo todo te pulsa, poeta. Mesmo sem nunca ter tido teu gosto na minha pele e nos meus lábios. Essas noites cruéis que me afastam de ti e me deixam à deriva do teu cais. Essas noites mal-assombradas de sentir teu fantasma rondando meu corpo e teu gozo espirrado em silhuetas de sombras. Desperdiçado em derramamentos de dedos e mãos que deveriam dominar a mim! A mim, poeta! E não a essa solitude que te cerca quando eu também não estou.
Meu corpo te anseia, amor. Meu corpo espera um retrocesso no tempo pra saber-te aqui e meu. E quando tu me dizes assim safado, que meu cheiro te excita pelas manhãs e que cometes o ato solitário e prazeroso de me ter em pensamentos e fantasias eu sinto meu corpo trêmulo e frágil de estar nas tuas mãos sem estar. Eu me derreto fluidamente e me entrego ao tesão em revoadas pela minha pele toda.
E sou tua, poeta. Insanamente. Diariamente. E tu ainda me pedes mais.
Mais! "Mais!" tu me dizes. Pois se já sou assim tão transbordante e abundantemente tua. Pois se depois de ti eu tornei-me um nada, uma anulação, um buraco. Sou um abismo erótico esperando pelo teu ereto existir, pela tua secreta poesia de destilar-me em orgasmos e lambidas e estocadas. Esperando pelo teu salto, poeta. "Mais!" Como podes querer mais se eu já te dei todas as minhas vidas?
Em tudo poeta, em tudo o que eu faço, trago-te comigo. Bem aqui. Enfiado entre as minhas coxas, entre os meus seios. Aportado nessa alma que só sabe cantar-te em poesias. Degustando meus anseios sadicamente. Enredando-me intensamente a ti. E a noite lá fora clama por nós. Tu aí, eu aqui. E eu querendo sacudir o mundo pra ver se ajeito meu destino ao teu.
Tudo fora do lugar, poeta. Tudo fora do lugar.
Como a poesia que eu derramo em tuas mãos. Como o gozo que eu derramo em (teus)meus quereres sorrateiros. Como a fome que me dá das tuas sanhas, dos teus jorros. Como eu, invadindo definitiva a tua existência....
Haverá o encaixe de tudo um dia?
Tudo fora do lugar, poeta. Tudo fora do lugar...

Por Van Luchiari ©


Tem post novo também no SECRET LOVE (Proibido para menores).
Passem por lá. Comentem. Deliciem-se.



8 MIL RECADINHOS:

Guizaum disse...

cara, eu pago pau nos seus textos van.
tem uma sujeira deliciosa. Parece os textos que eu escrevo, só que com menos sangue e morte.
auhahua

bjaum!

Edu C. disse...

Intenso e provocante. Muito bom, parabéns!

Graça Pires disse...

Uma carta a um poeta. O desejo impresso nas palavras.
Um beijo Van.

Van disse...

GUIZAUM
Querido, o sangue aqui corre é de outra forma! kkkkkkkkkkk Que bom que você curte minhas coisicas. Fico feliz! ;) Beijucas

EDU
Obrigada, querido. ;)

GRAÇA
Um beijo pra ti, poeta querida.

gdec disse...

Tenho vindo aqui e me assusto um pouco -é da idade- mas volto...
Perdoe e aceite
um beijo, de espanto.
gdec

livia soares disse...

Olá, Van.
Vc é sempre tão intensa...
talvez por isso seja tão estimulante passar por aqui.
Estou de volta, depois de uma ausência mais ou menos longa.
Passa lá no meu blog, vc é sempre bem-vinda.
Um abraço.

adelaide amorim disse...

Um blog tão gostoso de ler, cheio de vida e desejo - e não são sinônimos? Beijos, bom domingo e muita inspiração.

Mário disse...

Nesse clima aqui instalado, só posso mesmo lhe desejar um excelente, poético e sensual domingo.

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari