A TEMPO


Need I say More - Gary Cherone

A tempo. Serei mais auto-biográfica um dia.
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A tempo...
Foi você! Foi você que eu um dia quis muito além de mim. Foi você que invadiu, mexeu, bagunçou e sepultou meu coração. Você que me deu todos os sons de presente e silenciou o resto todo. Você. Você que hoje é falta. Falta-me o teu estar aqui comigo. Falta-me a música que você trazia. Falta o que eu era quando havia você por perto.
A tempo...
Apaga o teu nome do céu da minha boca. Apaga o teu beijo da minha língua. Anestesie o torpor que eu sorvia de ti, sedenta do teu amor tão meu e tão pra sempre e tão promessas de caminhos novos. Imploro-te. Apaga o teu gosto do meu corpo e o teu cheiro do meu sexo. Tira o teu êxtase dos meus dedos. Recolhe o teu amor escorrido nos meus lábios.
Lava-me! Limpa o que de ti ainda pulsa e lateja em mim. Porque sangra. Porque dói. Suprima a lembrança do que um dia eu fui porque havia você em tudo, diariamente. Dissolva o coração que um dia eu coloquei nas tuas mãos, inteiro. Vivo! Vivo porque você o mantinha delicadamente atento. Apaga as palavras, os gestos, as pequenas coisinhas que você me trazia que me faziam imensa, invencível, corajosa, brilhante! Pois nada mais há.
A tempo...
Derreta tudo o que foi tocado pela distância. Destrua tudo o que a tua voz grudou na minha pele. Jogue fora os meus olhos que não servem mais pra te ver porque você não está. Leva embora de uma vez os segundos e as letras e as intimidades criadas que me faziam sorrir e vibrar. Congele o tempo para que quem sabe um dia, a memória possa perdoar todos os nãos... E desaparecer. Um pouco a cada dia. Vai-te saindo de mim. Porque não te ter mais é farpa inflamada que incomoda e meu corpo incorpora e rejeita num conflito dolorido.
Então desfaça tudo. Deixa que o vento leve o que nós fomos. Despeja a alma que eu te dei na tempestade e deixa-me ir. Liberte minhas entranhas da tua intoxicação doce e sutil.
Deixa todas as vidas em que eu existi somente para ser sua. Apaga as noites em que eu me entreguei inteira e crédula.
A tempo...
O tempo adormece. Há uma fresta na janela que te rouba o tempo todo. E te leva do meu pensamento aos poucos. Vou te esquecendo mesmo sem querer. E vem o vento te roubar da minha cama vazia. Sem me dizer ao menos pra onde vai te levar. Esvazia tudo.
A tempo...
Depois de tudo, um dia te encontro no tempo. Um dia em alguma esquina, em algum som. Na força da noite eu venço o espaço até te achar denovo. Firo o dedo no teu sonho e te dou o meu existir mais puro. Jogo fora a amargura dos dias e me dispo das ventanias e das estradas sem pontes que me exilam de ti.
Faço um juramento ao nada: Eu te trago nas minhas frestas. Componho alguma manhã. Invento alguma vida pra nós... Morro.
E acordo. A tempo.
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Isso não é uma biografia. Parou antes. Não a tempo.
Por Van Luchiari ©


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10 MIL RECADINHOS:

Anônimo disse...

E nisso de reinventar o outro, um novo outro, reconstruímos sonhos que, tolos, achamos ter perdido. Às vezes tudo se apagou por aquela uma lâmpada queimada do pisca-pisca de natal. Mas quem pode dizer que a encontra, quando a árvore de tão grande e tão enfeitada por anseios tinha luzes que pareciam infindáveis, ofuscando o céu estrelado?

E após tanta luz, quem vai achar, ao brilho tênue das estrelas, o que precisa ser trocado? Já me perdi achando em mim o que queimou, muitas e tantas vezes... e do alto dessa árvore, me perguntei: quem vai vir ligar a tomada?

E quem veio por último me fez ver que o carnaval desses enfeites nada importa. Que a árvore é mais bela apagada, seus galhos acesos somente pelo céu. Alcançando-o, pretensiosos que são.

O resgate na desconstrução. A tempo.

Dani disse...

pô, Van, certinho, justo, exato no que cabe em mim por esses dias.

o deixar ir para, se verdadeiro, voltar.

beijos felinos, lindona!

Anônimo disse...

O final está ótimo!!! Beijo!

FERNANDINHA & POEMAS disse...

Olá querida Van, belíssimo ... Adorei... Beijinhos de muito carinho,
Fernandinha

Anônimo disse...

Há tempo Van, há tempo.

Beijo

bete disse...

ainda bem que que pra tudos temos um tempo. de doer e sarar, amar, desamar e amar de novo. sonhar, acordar e voltar a dormir e sonhar...
ciclos...e a vida segue. diria que quase sempre bem pra quem pode...
bj

Anônimo disse...

Há tempos! E a tempo consegui vir aqui... acho que deu tilte no meu pc..tem travado demais e nem é vrius... é tombo mesmo!..rsrs
Fico impressionado quando você diz que tá sem inspiração e então me deparo com um mundo de palavras que me einvadem assim de tl forma a perder o chão. Viajo em cada letrinha que vocês transcreve aqui ... adoro suas palavras, suas frases de efeito. seus textos-poéticos e e o seu jeito único e cativante!
Adoro-te linda van!
beijo do seu amigo e fã,
Edu.

Vandi disse...

Que profundo tão cheio de sentimento
O final ficou muito bom

Adorei seu blog
vou sempre dar uma passadinha por aqui

beijos

Van disse...

TROLL
Comentário profundamente intenso, pra variar! ;) Beijucas

FELINEA
Gatona, tô torcendo pra que volte! ;)
Beijucas

RICARDO
Só o final? Bom.... já é alguma coisa né? hehehehe ;) Beijucas

FERNANDA
Brigada, querida.

PAULO
Sei não........ sei não........

IARA
Sábias palavras, querida. Beijucas

EDU
Querido, eu tava com saudades. Bem-vindo de volta! Te adoro tb. Beijucas

VÁNDI
Volta sim querida, vou adorar!!!! =))) As portas estarão sempre abertas. Vem! Beijucas

Fernando Grassi disse...

O tempo, esse fenômeno variável, descontínuo e, sobretudo, muito estranho. Ele anda em ritmos e velocidades variadas. Ele anda para frente e para trás.
Mas ele sempre existe. Nós o construímos, o moldamos conforme nossas expectativas e nosso ânimo.

Apesar de tudo isso, ele sempre existe.
Logo, há tempo!

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari