VÉSPERA

Vivo na véspera do meu corpo.
Num sonho onde tudo é ontem, tudo é ido....
Na véspera da minha pele moram meus sussurros.
Na véspera do meu corpo moram teus veludos
Nas minhas mãos.

É na minha própria véspera
que eu me deleito, deito e acordo.
Na véspera de mim mesma mora uma escuridão.
Mora uma noite.
Um céu estrelado, confuso e misterioso.
Na véspera do meu corpo equilibra-se o infinito.
Nos meus pés.

Vivo na minha própria véspera.
Urgentemente.
Na véspera da minha pele existe a tua pele
Na véspera do meu corpo mora um abismo.
Mora a solidão. Mora um risco.
Contorce-se um doer. Morre um beijo.
Na minha boca.

Na véspera do meu corpo
vive uma nudez estranha.
Um desnudar-se encabulado e oculto.
Na véspera do meu ser vive um descanso,
um êxtase, um grito.
Na véspera do meu corpo eu escorro.
Languidamente.
Na tua língua.

Mora na minha véspera um latente que explode...
Inegavelmente. Diariamente.
No meu gozo.

Nem mesmo o presente ou o futuro existem.
Sou a minha véspera.
Pra sempre.



Nova postagem também no SECRET LOVE. Passe por lá. Deixe os pudores de fora.



25 MIL RECADINHOS:

BETO PALAIO disse...

Transcendental Etude

No one ever told us we had to study our lives,
make of our lives a study, as if learning natural history
or music, that we should begin
with the simple exercises first
and slowly go on trying
the hard ones, practicing till strength
and accuracy became one with the daring
to leap into transcendence, take the chance
of breaking down in the wild arpeggio
or faulting the full sentence of the fugue.
And in fact we can’t live like that: we take on
everything at once before we’ve even begun
to read or mark time, we’re forced to begin
in the midst of the hardest movement,
the one already sounding as we are born.
At most we’re allowed a few months
of simply listening to the simple line
of a woman’s voice singing a child
against her heart. Everything else is too soon,
too sudden, the wrenching-apart, that woman’s heartbeat
heard ever after from a distance,
the loss of that ground-note echoing
whenever we are happy, or in despair.
Everything else seems beyond us,
we aren’t ready for it, nothing that was said
is true for us, caught naked in the argument,
the counterpoint, trying to sightread
what our fingers can’t keep up with, learn by heart
what we can’t even read. And yet
it is this we were born to. We aren’t virtuosi
or child prodigies, there are no prodigies
in this realm, only a half-blind, stubborn
cleaving to the timbre, the tones of what we are
even when all the texts describe it differently.

VANZINHA, ESSE "ESTUDO TRANSCENDENTAL" É DA POETISA ADRIENNE RICH.

APENAS UM CONVITE DE VÉSPERA, PARA QUE NOS ALIMENTEMOS COM O PÃO DA VÉSPERA, E NOS FARTEMOS COM O AMOR CARNAL DA VÉSPERA...

FALANDO EM HOJE: UM EXCELENTE DIA PARA VOCÊ!

Edu C. disse...

Belo texto e mais belo ainda o diálogo com a imagem. Um casulo? Prisão ou um estado de véspera, transformação?

Graça Pires disse...

Sim Van, escrever é uma catarse.
Gostei do seu poema e lembrei-me do tempo em que eu escrevi:
De passagem,
como a véspera imprecisa
do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros...
Um grande beijo.

Van disse...

BETO
Esse ensaio daria uma bela sinfonia. Saber compor a própria vida é a busca interminável da existência. Que eu saiba compor a minha brilhantemente. Muito obrigada, querido. Um hoje fenomenal pra ti também. Beijucas

EDU
Sinto-me assim. Casulo, crisálida. Prestes a explodir alguma coisa latente, como a poesia sugere, como a foto pede. Sim! Transformação. Hibernação. Recolhimento. Daqueles necessários para conseguir ver tudo melhor. Um dia, Edu, um dia eu arrebento essa pele que me envolve. E ficarão expostas minha carne e minha alma pra que eu possa absorver tudo em mim. Um dia....
Beijucas, querido.

GRAÇA
"A solidão dos outros..." Que coisa linda! E você sempre lê a minha solidão com esses olhos de poesia. Rara! Rara você! Beijucas

darkest poet disse...

daqueles poemas demasiado bons para descrever... :) mesmo...

Gabriel disse...

perfeitamente sedutora...como sempre

Van disse...

DARKEST POET
Obrigada, querida. Pra que descrever se você pode sentir? E que bom que você sentiu. Beijucas e seja muito bem-vinda ao meu espaço.

GABRIEL
Você voltoooooooooooooooouuu!!!!! Estava mesmo com saudades docê. Não se perca mais de mim. Beijucas

Lord of Erewhon disse...

Tudo são vésperas: o nascimento e a morte, o prazer e a fala.

Dark kiss.

Profº. Eric Frantto disse...

Muito bom! Boa notícia:
VOCÊ ACABA DE GANHAR UM SELO! Passa no "( Óculos e All Star )"para pegá-lo! Grande abraço!

Van disse...

LORD
Que bom te ver senovo por aqui, moço. =) Beijucas

ERIC
Obrigada querido. Vou lá sim! =))))

Flavinha disse...

E quando é que, nessa vida, a gente realmente se fazer um "eu" presencial?

Beijos, twin :)

Van disse...

FLÁ
Essa é a busca minha twin querida! Um dia seremos inteiros e presentes. Beijucas

Hugo Torres disse...

Também vivo na véspera de mim mesmo que são todos os dias. A véspera eterna que se renova, a véspera que é véspera devido à esperança do dia seguinte que não vem, porém continuamos a acreditar que estamos na véspera. E que há algo para além da fronteira do quase.

Beijos :)

Van disse...

HUGO
Lindo isso!!!! Obrigada pela visita. Da próxima vez, deixe algum link de retorno pra que eu retorne a gentileza. ;) Mas vou te procurar mesmo assim. Quem sabe te acho em alguma véspera.
Beijucas

Paulo R. Diesel disse...

Queria eu "Viver na véspera do meu corpo".

Belo texto Van.

Beijo

Van disse...

PAULO
Querer é poder. Se queres, viva!
Beijucas

Hugo Torres disse...

Van, eu sou o Calafalas de Oníria, já sabes quem sou :)

Beijos

Bill Stein Husenbar disse...

Querida Van,

Há muito que já não voltava a esta casa onde me acalmo.

Mais uma vez, a minha querida amiga fez com que nascesse uma obra prima.

Post recheado de sensações, toques, paixão e desejo.

Van, parabéns (outra vez!) pelo seu blog e por cada vez escrever melhor.

É como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor!

BSH

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

Juliana Stanzani. disse...

"Languidamente na tua língua" adoro imagens que deixam esse tato todo.
Lindo.
Andei sumida de cá, mas tudo continua na mais perfeita beleza de impressão.
Beijos, moça.

livia soares disse...

Muito bonito, Van.
Um abraço.

Van disse...

HUGO
Nossa! Claro! Que distraída que eu sou. Liga não. =)))) Beijucas querido.

BILL
Hmmm, adoro vinho do porto!!!! =)))
Tava com saudades viu? Beijucas

JU
Obrigada, moça! Some mais não.
Beijucas

LIVIA
Obrigada, querida. Beijucas

FERNANDO RAMOS disse...

Olá, Vanzinha!

Sei que devo muitas visitinhas a ti, pois faz tempo que não as faço. Mas não é algo contra o Van Filosofia, mas com a blogosfera em geral mesmo.

De qualquer forma, depois de ler mais este lindíssimo poema, onde mais uma vez nos brinda com seu auto-conhecimento de forma profunda e semi-erótica, estivbe pensando em quantas poesias tu deves ter. Daí pensei logo em seguida: será que ela já tentou uma editora?

Seu jeito de escrever é muito seu, Van. Não estou escolado, mas acho que se me derem um texto teu sem tua assinatura, reconheço na hora!

E inevitável dizer que gostei do termo véspera. Mas entendi sempre como "antes". Acertei?

Beijocas, Vanzinha!

Menina da Imprensa disse...

Acho que a véspera é irmã caçula da ansiedade... "Na véspera do meu corpo, vive uma nudez estranha." A véspera excita os sentidos, a ansiedade vai além, os confunde...
Que texto! Bom como sempre,e dessa vez também forte!

Kisses

Van disse...

FERNANDO
Aguarde-me. Em breve serei meu hoje e não minha véspera. ;)
Beijucas

XARÁ
Querida, essas antecipações... Esse não-saber é realmente excitante, mas também angustiante. Realmente é o prenúncio da ansiedade. E quando ela chega...... Aff! Sai de baixo! E ainda quando chega em plena fase de inferno astral.... =( Ai de mim.
kkkkkkk
Beijucas

Vâmvú disse...

Lindo poema, lindo!
Mas ando meio fixado em finais...(rs)
"Nem mesmo o presente ou o futuro existem. Sou a minha véspera. Pra sempre."
É lindo isso, demais de bom...
Abrçs

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari