ACORRENTADA (Este NÃO É um post sobre fetiches!)

CORRENTES

Ela se sente acorrentada. E sabe que está perdendo a esperança. Ela sente que está à beira de um precipício. As asas partidas. Ela sabe. Ela não quer sentir dor, nem medo, nem fraqueza. Ela queria ser forte. Ela queria ser melhor. E queria ter coragem, porque sua vida não tem sido fácil. Ela olha a escuridão à sua frente. Sabe que se der um passo, um mísero passo sequer, tudo desmorona sobre ela. Então simplesmente não se mexe. Fica extática, em estado de quase-dormência. Uma quase-catatonia. E o tempo corrói os dias, um a um... E as horas seguem seu cronograma cármico.
BEDÉU
Ela respira com dificuldade o ar denso que a cerca. A tristeza convive com ela... Diariamente. A tristeza das coisas, dos livros, dos outros. A tristeza das horas, a dele e a sua própria... Que suga pouco a pouco a alegria do ar. E a prende com garras afiadas. E ela se pergunta se não é ela a causadora dessa doença que nunca se cura, dessa ferida que não cicatriza. E ela se culpa. Acha que não dá o suficiente nem a si mesma, nem a ele, nem à vida... embora o que ela dê pareça estar além de suas forças. É mais do que ela pode suportar.
No fundo, ela está cansada de cuidar... Ela não queria ser triste. Ela não queria ser falta! Ela queria de volta quem ela foi um dia. E os sorrisos que ela deu e que se dissiparam nas linhas do tempo. E as coisas que ela sentia quando ele a olhava e tocava. A sua juventude, a sua ânsia, a sua sede de viver tudo. Hoje ela é alguém pior. Hoje há esse vazio, esse medo, esse buraco, essa fraqueza, essa desistência que se impõe e que a engole. E ela não sabe como foi que deixou isso acontecer. Ela não queria. E torce pra que o dia acabe sem nenhum arranhão. Sem que ela precise mais uma vez, entregar o que ela nem tem mais e que nem mais é seu.
POLIANA É MORTA?
O jogo-do-contente que ela praticava já não tem tanta graça. Resta apenas um fio tênue segurando a alegria ao corpo dela. Frágil, ela caminha devagar pra não partir esse último fio. Qualquer vento pode ser fatal. Qualquer lágrima. Qualquer outro não. E ela se agarra a esse único cordão invisível porque a sua vida precisa dele. E luta consigo mesma pra ver gosto e ânimo nas coisas. Logo ela que sempre andou do lado brilhante da vida, vê-se frente a frente com o abismo. Ela não quer pular. Recusa-se. É teimosa.
TEMPO-REI (ou TE EMPURREI?)
A vida segue o seu tic-tac e ela sente cada segundo como se fosse uma farpa inflamada no corpo. O olhar opaco. As mãos secas. Os pés calejados de tanto tropeçar nas pedras no caminho. E ele. Sempre ele. Presença constante assombrando seu sono. Tirando-lhe os sorrisos. Cobrando suas taxas. Ele não faz por mal. Não é culpa dele, ela bem sabe (acha mesmo que esse estandarte é dela). Mesmo assim. O esforço é como parede. Duro, limitante. Logo ela... Logo ela... Ela quer a si mesma de volta. Ela quer libertar-se dessas correntes pesadas, mas não vê como. E então ela chora...... "Se ao menos conseguisse dormir....."
EPIFANIA
A saída.... A saída.... A luz.... A luz..... O bálsamo. Do precipício ela ouve um eco: "- As asas! Abra as aaaaasas!"
E o tempo paralisa.

Por Van Luchiari ©
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Quer trilha sonora? Põe uma moedinha na jukebox aí!

VEJA SÓ! - Música e Letra - Van Luchiari
Voz, Violão, Kalimba, Água, Respiração - Van Luchiari
Baixo - Pedro Sossego / Guitarra: Réo / Tambor d'alma, Vocais: Daniel Si!


Veja só! O tempo não nos poupa, não espera. / Olhe bem! Nos faz rodar, girar na mesma esfera. / Deve ser fundado no grande desejo do homem de nascer.... / O tempo te passeia até o morrer! / Olhe bem! O tempo traz o esquecimento e fica tudo bem. / O tempo é o que te faz envelhecer, mas só faz bem. / Que arde insaciável na origem do teu ser. / O tempo traz alívio no viver! / Tempo passa traga a vida esbarra no futuro o tempo paralisa / vaga nesse tempo nossa alma e traz consigo o som que eterniza... / Tempo passa traga a vida esbarra no futuro o tempo paralisa / Corpo explode nesse espaço e traz o tempo que o desejo idealiza... / Veja Só!
(Veja só! - Van Luchiari)


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18 MIL RECADINHOS:

Mai disse...

Ah! Van, que delícia esse teu texto.
Cara, quanto tempo eu perdi esse deleite que é te ler.
caramba...
Fetiches... ahahahah
Amei...
Meu riso largo e frouxo é teu troféu de hoje.

Poderia ser uma leitura dramática de um texto dramático, com um comentário dramático.
E olha que delícia de limonada fizeste...
Maravilha.
Queria te conhecer.
Ppariu.
Um manjar, isto. Doce delícia!

carinho, sempre.

Pavón disse...

" Venham até a borda, ele disse. Eles disseram: Nós temos medo. Venham até a borda, ele insistiu. Eles foram. Ele os empurrou... E eles voaram." (Guillaume Apollinaire)
Li esse pequeno trecho que me vei na cabeça assim que terminei de ler o seu texto. Muitas vezes nos prendemos a fio únicos de felicidade perdida, mas o que deveriamos mesmo fazer era abandoná-los e nos jogar do precipicio. A queda tem o poder de romper as correntes e libertar as asas esquecidas...

Beijos

iara disse...

vc andou lendo minha alma?
só posso dizer que chorei...
bjs

Van disse...

MAI
Delícia é esse teu comentário!!!!
=)))) Amei, querida! Obrigada do fundo do coração. Beijucas e meu carinho procê.

PAVÓN
Eu abri minhas asas (imensas) e me joguei, nua e vulnerável, ao vento, ao abismo, à vida, ao desconhecido... Eu abri minhas asas! Eu abri!!!!!!!
Belíssima citação, by the way!
Beijucas, meu sábio e "narigudo" Pavão.

Van disse...

IARA
Querida... Então abra as asas junto comigo!!!! Voemos juntas! Almas descobertas e sem correntes.
Choraremos a liberdade ou o desejo dela. Inteiras nossas asas e intacta nossa coragem. Então? Vem comigo? =)))) Fico honrada com teu comentário. Que bom que posso escrever de forma que alguém se identifique comigo e minhas dores e asas e correntes.... Meu carinho a ti. Beijucas, lindeza.

Iaiá disse...

linda musica. Ja esta em loop. Obrigada. bjs, Iaiá.

Conde Vlad Drakuléa disse...

Flap!Flap!Flap! PUF! Pousei...

Não tenha medo de precipícios nem de escuridão, quebre as correntes e dê o primeiro... De muitos passos! :)

Beijucas do conde :D

Voei, PUF! Flap!Flap!Flap!

FERNANDA & ASTROLOGIA disse...

Olá querida Van, belíssimo texto, maravilhosa Música... Adorei Amiga!
A tua voz é linda!
Bom Domingo!... Van tenho novo blogue com a temática da Astrologia, se quiseres passar por lá aqui deixo o enderesso:

fernandaastrologia.blogspot.com

Beijinhos de carinho e ternura,
Fernandinha

Felinea disse...

porque era o tempo de estar presa.

agora

se faz tempo de liberdade.

::::

lindo texto.

:))

Van disse...

IAIÁ
Obaaaaaaaaaa! Loop! Loop! Obrigada VOCÊ querida. Beijucas

CONDE
Não era bem medo da escuridão. É mais medo da perda, do vazio de não ser mais quem eu era. O abismo não me assusta. Tenho asas, como você!
;) Beijucas

FERNANDA
Obrigada, obrigada, obrigada!!!!!!
Passo por lá sim, querida. ;)
Adoro astrologia. Beijucas

FELINEA
E de liberdade não abro mão... Sabe por quê?
"Nós gatos já nascemos pobres.
Porém, já nascemos livres!!!!" ;)
Miaaaauuuuuur, querida. Muito boa a tua presença por aqui. Não deixe de vir. Beijucas

Troll disse...

Abrir as asas, fazer-se leve... quando se está caindo do penhasco, não custa nada tentar bater os braços e voar, afinal. Tudo o que nos forma, toda a dor que nos conforta - pq sim, ela é tbm fuga, em si -, todos os olhares que buscamos e damos.

A vida não conhece novos termos, só aquilo o q deixamos de ver com o fechar de certos olhos, ao aprendermos "certos e errados".

Teu disse...

Correntes também se desgastam pelo tempo. E se fizer um pouco de esforço, elas acabam por se partir.
Parabéns pelo texto forte.
Bjs

Patrícia Lage disse...

Van, linda...
O tempo parou assim que terminei a leitura. Vai ver, eu voei também.

Abrir as asas e deixar com que elas pratiquem a sua razão de existir é a melhor forma de garantir esse retorno a nós mesmos, né?! Bater as asas para voar, finalmente, de encontro a nós, o melho porto-seguro que nós temos. Mesmo se esbarramos em outras pessoas: muitas delas nos fazem de abrigo, porque nos compartilham, continuam.

Entende o lar que você é?

Fiquei emocionada, e deixei meu choro voar também.
Meu beijo.

Van disse...

TROLL
O que dizer diante de um comentário tão lindo e verdadeiro? Calo-me. E meu silêncio te reverencia!
Lindo isso! Beijucas

TEU
Tomara!
Beijucas


PATTY
Minha lindeza de coração gigante e zóio de céu... Pra ti sempre terei abrigo pronto pra descansar dos vôos em busca de si mesma. Que bom poder ter o céu por perto.
Beijucas

Edu Grabowski disse...

lindas e tristes palavras. Em algum momento, acredito que muitos já se sentiram assim...paralisados....entao um dia despertamos e voltamos a andar... Tempo-casulo!
Saudades de ti... saudade grandona!
Adoro-te demais linda Van... poesia-unica é você!
beijos do amigo e fã,
Edu

sifro disse...

Lo siento Van....cuando escucho esta canción siento una profunda emoción en el estomago, siento la necesidad de cerrar los ojos y dejarme llevar por tu voz.....lo siento Van, ésta vez no pude leerte.....estaba en otro mundo, en una boveda celeste, envuelto entre los susurros de esta maravillosa canción....

amo-la, amo-te

Juno disse...

Tem um desafio pra você lá no Chocolat, Van!

Beijos

Saramar disse...

Eu ando lendo sempre, calada.
Suas palavras são imensas demais para as minhas.
O que me moveu hoje, o que atiçou minha pequena coragem foi a sensação que o que você escreveu é o espelho, a cor e dor do que sou.

beijos admirados, sempre

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari