"EU COSTUMAVA SER MELHOR DO QUE EU SOU..."

Por mim. Pra mim.
Des-Existir. Desaparecer. Des-Ser...



Ímpares - Música e letra: Van Luchiari
(a letra está logo ali abaixo do post, pra quem quiser ler)

Fiquei fora de mim por longo tempo.
Esqueci quem eu era. Fiquei no caminho.

Eu não sou quem eu sabia. Eu não faço o que eu fazia.
Onde foi que eu me meti? Onde é que eu fui parar?

Essa nova EU sangra. Rompe a placenta dolorida...
E ainda em sofrimento,
tenta nascer.

Vomita perdas antigas, chora desilusões e mentiras.

Expele mortes e lambe a própria asa sem vida.

Implode vontades. Empurra a vida pra vida. Ou tenta.
Sem olhos, sem sentidos, sem saída... Jaz.
Onde foi parar a minha fênix?

As coisas que não entendemos.....
Precisamos delas como uma criança que está aprendendo e descobrindo o mundo. Precisamos levar nossos choques, enfiar os pés pelas mãos, cair, machucar o corpo e a alma. É preciso um pouco de ferida pra fortalecer o caráter e a coragem. Aquele que nunca se machuca não está preparado para a vida. Fica frágil, medroso, quebrável e quebradiço.
As coisas ruins que acontecem conosco são tão necessárias quanto os tombos de quem está aprendendo a andar. Ficar em pé exige força e garra. Levantar-se de uma queda exige um coração cheio de milagres. Maior a queda, mais coração há que se doar! Perder, cair, sofrer, chorar.... Tudo isso tem um porquê. Tudo isso é fundamental pra que aprendamos a lição que nos cabe nesse mundo. Doer é indicativo de vivência. Sangrar nos diz que estamos vivos. Antes isso do que viver dentro de uma bolha. As cicatrizes são belas. O que nos mata é a lembrança da dor que elas nos causaram.
Mas como é difícil aprender a ser outra. Cair, perder.... acabar, assim como eu acabei. É difícil olhar-me no espelho e ver uma pessoa completamente outra, diversa, vazia, oca. Um mero esboço do que um dia eu fui.
Foi a vida que aprontou das suas e me fez ser essa outra pessoa que eu não conheço, não gosto e ainda não sei o que fazer com ela. (Eu que era Cigarra e vivia cantando tornei-me Formiga e hoje sou muda.) Toda a beleza que eu tinha... A minha voz.... tudo isso acabou. Não existe mais. É mais uma daquelas cicatrizes que eu vou doer e sangrar pra sempre. Mas a vida é assim... E se eu tenho que passar por isso, só espero perceber e aprender logo a moral dessa história.
A vida acontece de querer nos tirar do eixo. De querer roubar nossa alma aos poucos. De querer desviar os caminhos pra lugares outros que não nos são tão confortáveis. Há coisas que são importantes de verdade e não queremos deixá-las pra trás... Mesmo que o caminho seja outro, mesmo que a alma esteja cansada, mesmo que o eixo esteja todo torto. Difícil deixar nossa alma pra trás. Difícil morrer diariamente, pouco a pouco, para o que você sempre foi. Construir do nada, um novo existir.
O maior milagre é transformar as feridas, as perdas e as dores em escadas, estradas e casulos. Gerar outro ser, outra existência dentro de cada doer. Re-criarmos a nossa própria imagem. A nossa própria vida. E com o tempo, quem sabe, aprendermos a gostar desse novo Eu. Aprendermos a viver e reconhecer esse novo corpo, essa nova alma, esse rosto ainda embaçado, desconhecido. Querer continuar......
Essa é a força. Esse é o milagre. Essa é a lição.
Um dia eu aprendo!

"Eu: Caçador de mim..."

Por Van Luchiari ©


"Sempre gostei de ímpares. / Nunca entendi o amor. / Sempre cheguei ao clímax, não sem dor. // Sempre li meu destino / Nas linhas da minha mão. / Eu nunca tive medo da solidão. // Sempre esperei um príncipe / Pra ser meu redentor. / Eu costumava ser melhor do que eu sou. // Sempre entendi a vida / Como uma ilusão. /Eu nunca tive muito meus pés no chão! /// Sempre gostei de mergulhar no mar E nunca me afogar. Sempre gostei de flutuar no ar E me deixar levar Pelas palavras que um dia eu aprendi. /// Sempre gostei da chuva. / Nunca temi um olhar. / Sempre aceitei o que a vida tem pra me dar. / Sempre beijei mil bocas / Só pra te encontrar. / Me embrenhei na noite pra me achar. /// Sempre gostei de mergulhar no mar E nunca me afogar. Sempre gostei de flutuar no ar E me deixar levar Pelas palavras que um dia eu aprendi. /// Sempre toquei meu corpo / Só pra me dar prazer. / Eu sempre quis tuas mãos a me percorrer. Eu sempre fui poeta / Pra não enlouquecer / Mas muita coisa ainda tenho a dizer..."
(Ímpares - Música e Letra:Van Luchiari)



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12 MIL RECADINHOS:

Patrícia Lage disse...

O que sei, Van, é descrever a fortaleza toda, íntegra, singular que vem de você e eu posso sentir contágio. Há muito conseguir no querer, muito. Se não é a dor, como chamaríamos o prazer?

Te disse naquele dia, você é maior, bem maior que o teu campo de visão. Eu posso te ver sem limites, porque te vejo com o coração.
=)

Tem vida transbordando aí, eu sei. Eu sei. Teu peito é o mundo, Van.
E eu contemplo, só.

Meu beijo.

Conde Vlad Drakuléa disse...

Flap!Flap!Flap! Pousei...

"Teu peito é o mundo Van", que lindo, essa Srta. Lage gosta realmente de ti Van! E eu também!
Beijos novos minha querida!

Voei, Flap!Flap!Flap! :)

Mai disse...

Oi, Van.

Interessante. As janelas que a percepção alcança - diferentes ângulos, paisagens, formas de ser e estar no mundo. Digo isto porque nos conhecemos pelo que escrevemos. Mas sei, que o poema é uma das formas de darmos ao outro, a possibilidade de conhecer, o que é "intra psíquico". Uma das poucas maneiras. Bem, te vejo opostamente ao descrito: forte, corajosa, vigorosa, LINDA!

Quando eu ainda era menina (cronologicamente, faz tempo) e ainda sou, descobri que eu não poderia mentir, mas para sobreviver, precisaria ser corajosa.
Assim, sobrevivo.

Ah! Van, momentos são fugidios. Quem fica é Van e esta, não é vã, é coragem e força.

Muito carinho.

Bill Stein Husenbar disse...

Nesta época natalicia, desejo um Feliz Natal recheado de momentos bons e inesqueciveis na companhia dos que mais ama. Que a alegria e a esperança se espalhe e se concretizem no coração de cada um de nós.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/

sifro disse...

y por favor, mientras sigues aprendiendo...no dejes de cantar...

impares...bella canción, magnífica voz......no puedo parar de bailar, Vaaaaan!!!!!!!!!!

iara disse...

ultimamente cada vez que venho parece que está a falar comigo, ou fui eu que falei comigo mesma. só sei que não fui eu pq o sentimento que dirigiu as palavras é o mesmo, mas não sei escrever tão lindamente assim. cair e levantar. ser outra, nova, e ainda a mesma. a dor que nos rasga e nos fortalece. tudo esta aí...
e com todas as cicatrizes e tudo que ja fui e ainda serei, gosto do que sou...nem sei bem como.
e acredito que vc tb goste de vc assim.
bjs

Pavón disse...

Querida amiga...
Nossa essencia nunca muda, independente dos fatos que cicatrizam nossa passagem pela vida que nos rodeia todos os dias.

Por que temos tanto medo de largar o passado? Por que temos tanto medo da renovação? Por que queremos carregar tanto, quando podemos voar livres? Por que toda história precisa de uma moral?

E se toda história tem uma moral, será que nao temos o poder de escrever nossa propria? Eu creio que sim...

Beijooooooo!!

PS. Sua voz é linda...

tita coelho disse...

Oie Van!!!
Sumi, mas estou sempre acompanhando o que tu escreves pelo google reader... Ando sem tempo!
Sobre os teus escritos de hoje... Quem sabe a verdade que somos... somos nós mesmo... E somente nós, um dia nos encontramos em nossa verdadeira pele e casca!
Beijos lindona, tenha um dia feliz :)

Van disse...

PATY
Amoreca, você é que é um mundo! Amiga linda que eu fui arrumar viu?
=) Beijucas

CONDE
Idem!!!!!

MAI
Que lindo isso! Só posso agradecer o jeito como você me vê e pra não te decepcionar vou fazer tudo direitinho. ;) E por falar em idade cronológica, eu sou bem antiga. hehehe

BILL
Procê também querido.
Beijucas

SIG
Meu amado espanhol, não posso! Não posso! Não posso mesmo! Adoro você.
Beijucas

IARA
Eu gosto de mim assim. Gosto de ser fraca e depois ver que sou forte. Gosto de chorar pra depois me sentir limpa.... E gosto quando você se identifica e comenta essas coisas lindas. Mesmo. É uma honra pra mim te receber.
Beijucas

PAVÓN
Esse passado eu já larguei. Eu choro, sofro, sangro, escrevo... Assim vou perpetuando a mudança de dentro pra fora. Porque em geral as mudanças de fora pra dentro são mais rápidas. Leva um tempo pra alma acompanhar. No meu caso, não é medo. É amor absoluto pelo que eu fazia. Quando amamos muito alguma coisa, não queremos perder, não é? Mesmo que seja inevitável às vezes.
Obrigada pelo elogio à minha voz, querido. Acho que você foi o único que ouviu mesmo a música. kkkkkkkkkk
Beijucas

TITA
Amorecaaaaaa, que saudades de você, moça! Muita mesmo! =))))) Também andei sumida, na verdade doente... Aos poucos vou voltando, verdadeira, em pele e casca... E alma. Te adoro e obrigada por vir me ler. Linda!
Beijucas

Troll disse...

Quem somos, realmente, senão o fruto dessas feridas, dessas dores, desses desamores próprios e alheios? Somos tbm nossos sorrisos, cada um que demos e ganhamos, somos cada pequena lajota, iota, instante de felicidade e satisfação que já fez parte de nós.

Outro dia mesmo, entreguei a alguém um coração, pedindo desculpas que ele estivesse já tão ferido, cicatrizado, duro e batendo torto. E quão belo foi o sorriso, que o viu como novo!

Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teu disse...

Todo mundo já deve ter tido esse sentimento, principalmente depois dos 30. De que um dia já foi melhor. Mas isso é passageiro, Van. É assim que aprendemos.
Bjs

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari