DOS ÊXTASES ONÍRICOS

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Êxtase
Outra vez me perdi no Labirinto dos teus encantos. Sem fio pra marcar o caminho de volta, me perdi. Perdi-me em ti. Labirinto agora é minha morada.
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Eu queria respirar a vida e todas as coisas e galáxias e estrelas através dos teus olhos. Ir ao encontro dos teus fluídos. + Por ora fico aqui, cavucando as cores pra te dar e capturando a tua noite nas mãos, e as tuas letras no ventre. + Já te disseram que eu era feita de borboletas e espantalhos e janelas e boca e morangos à beira do abismo? + E a chuva que não vem e ainda assim insiste em ficar. + E de repente, no sonho as tuas mãos trêmulas pegam nas minhas e aí tudo fica molhado. + Úmido é bom. + E escorre o sonho pelo corpo. + E pingam meus êxtases no céu da tua boca. + Meus orgasmos no chão desse amor incabível. + E tudo vira rascunho denovo. + E os teus olhos pousados nos meus, me invadindo feito ondas num vai e vem erótico. + Breve prosa de conhecer-te longe e bem antes. Antes do passado, já te disse! + Eu só queria esse raio caindo tardio no presente que eu alcanço e entendo meu. + E você me trazendo diariamente flores matinais com odores de amanhecer ao teu lado. + E a tua vida é uma bandeja de frutas. + E o teu elixir em mim é um cheiro agridoce de lamber sedenta a minha oferenda. + Senti o teu tremor na ponta da língua. Teus dedos eram como um dardo apaixonante. Intoxicante. Zarabatana invasiva de veneno doce. + Revoada de borboletas. + E eu com o meu gozo primeiro metido no meio das tuas entranhas. + E o teu amor era como rosas vermelhas ao acordar. Diárias e deliciosas. + Eu as como todas. + Como degusto desse amor instante. Desse amor repente e rasgante. + As tuas manhãs são da minha boca. E meus morangos explodem gemidos em mim. + E me parece tudo encantado. + Acordei cedo demais (e você não estava). + Ou tarde demais (e você não estava). + Foi por ti que eu voltei a usar meus sorrisos. Timidamente. + Verso por verso, palavras espalhadas pela vida frágil, eu fui sendo tua! + Você com as letras, eu com as vozes. + Na madrugada que me habitava - porque sem ti é sempre e tudo madrugada - por três vezes abri os olhos pra te ver. + Você não estava. + Depois te vi ..... E o azul me invadiu de flores. + Cadê o fio pra achar a saída desse labirinto? + Tua intoxicação é uma rede onde eu prendo a minha vida. + Foi um sonho de te ter? + E tuas mãos nas minhas borboletas. E teus dedos nos meus úmidos. + Bem que me disseram. Bem que me disseram. + Lancei-me. Rendi-me. Estou vulnerável. Estou nua. + Tua. Entregue ao sonho.
Vem?
Vou!



6 MIL RECADINHOS:

Ricardo Valente disse...

Intensa... invasiva! Muito bom!!! A foto tb... Bjão!

Mago Ykhro disse...

Eletrizante, desde o título!
Onírico desde a foto, de conteúdo permeável na cor do ambiente ali refletido!
“Zarabatana” quase soa como uma saudação: “NAMASTÊ”...!
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Sacudindo sábado e domingo, preludiando o início da outra semana para um “ASSIM SEJA”!
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Muito obrigado, Mestra!

Troll disse...

E nessa entrega, toda a beleza da intensidade. Das verdades de quem se conhece bem o suficiente para ter tamanha segurança. Jogar-se, desta forma, no êxtase e no vazio, ao mesmo tempo. Tudo fora dos limites, coisas tolas, pq eles não se aplicam, simplesmente.

Qualquer resposta é homenagem simplória a tão deliciosa desenvoltura. Então calo-me, sabendo q digo bem mais com tão pouco: sublime.

Patrícia Lage disse...

Ah, Van...
Há coisas tão exatas no que você escreve. Como isso de capturar letras no ventre. Tenho assumido em silêncio esse ofício, numa solidão diferente de todas que já vivi e experimentei.

E eu juro, se eu pegar essas palavras, direi que quem me ensinou foi você.

Meu beijo, querida.

Teu disse...

Entregar-se dessa maneira deve ser o máximo da felicidade. Mais ainda para quem recebe. Eu sei disso. Porque já fui alvo de uma entrega igual. Sublime, Van. Para dizer pouco.
Bjs

Crystal disse...

Intenso! Tão intenso que me fez mergulhar também, nessa entrega, nesse tormento tão doce. E tão amargo.

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari