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Eu escrevo assim pequeno.
E é assim porque poemas pequenos não machucam. Vez ou outra fazem alguma cócega, apenas. Mas não chegam a sangrar. Não ferem profundamente porque acabam antes da dor.
Mas eu confesso. No fundo eu minto.
Porque escrever sangra. Seja lá de que tamanho for a escrita. E sangra porque para escrever é preciso se abrir de um jeito inexplicável. E eu me abro. Exponho vísceras, coração, veias.
Dilacero-me.
E ao me cortar jorram palavras e tintas e placentas junto com o sangue denso e rubro. Tudo misturado e caótico. E às vezes é uma nojeira, mas às vezes é a coisa mais linda! Um quase-milagre. Ou um orgasmo. É um nascer-me.
É desse jeito que eu escrevo.
Eu escrevo no avesso do dia. Quando a luz não grita e a vida faz aquele silêncio palpável, mastigável.
É também quando no mundo ventila aquele gosto de imortalidade. E até meu coração, meu trêmulo coração, escorre em minhas mãos.
Encontro inspiração quando em tudo faz aquele silêncio gostoso da madrugada. E eu faço de conta que tudo é meu e nada existe além dos muros da minha pele. Aí me entrego e me abro inteira. Devolvo-me à voracidade intensa que me lateja o tempo todo.
Quando entre o negrume do céu e a umidade da pele percebe-se aquela explosão mascarada de quietude... No avesso do som, na beirada do improvável, mergulhada no impossível... É aí que eu encontro minha poesia.
E a gozo - languidamente - na língua da noite.

Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
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13 MIL RECADINHOS:

Jester disse...

E esse destemor, que transcende as palavras e transborda em belas sensações, te faz grande. Não é nada fácil ser assim, Van. Parabéns, hoje e sempre!

Felinea disse...

Van, tua alma transborda! :))

adoro passar por aqui.

miados felizes, garota!

Petê Rissatti disse...

Adoro quando você escorre.

Beijos

John Coffey disse...

Eu também minto. E minto grande.

Minto grande porque por muitas vezes minha vida é uma mentira. E também porque a verdade, além de doer, pode ser insuportável para outros que não eu e quem mais a conhece.
Aqui do alto da torre te vejo escorrer e te admiro ainda mais.

Beijos do alto da Torre.

tita coelho disse...

Van menina...
Escrever pequeno se torna grande, e tu tens o dom! Algumas poesias são "salvas" por somente uma palavra. Uma palavra faz a diferença em qualquer cotexto!
Adorei o tom da tua poesia e esse teu, só teu característico se derramar toda!
Beijos menina

Antonio Sávio disse...

Sinto que sempre que venho aqui tenho esse bafo quente em meu rosto e este cheiro quente de sangue que só quem tem uma vida pulsante ou a escrita latejando em seus punhos pode exalar, gotejar e converter isso em palavras como você. A ótima escrita não é mais surpresa, mas não posso deixar de elogiar o blog e estética do mesmo. Por aqui o tempo para e as horas não tem mais algarismo, elas se chamam poesia. Parabéns mais uma vez.

Mago Ykhro disse...

Só sangra porque tem origem no coração. E, conforme comentei no Vanzine...
'O coração... desse que você carrega em si...!
É núcleo, é motherboard, é simplesmente aquilo que carrega os bytes - e isso porque é BIOS para qualquer "power/on" de outros núcleos que se sintam ameaçados de ficar em "off".'
E foi assim... E é assim...!

Gerinho da Terra disse...

Tua caneta é tua válvula de escape.
Como já disse, seu interior é maior que o teu corpo, assim precisa sair pra não estourar de vez.
Pra vc é bom e ruim, pra gente é sempre bom, pois seu interior é lindo de se ver, ainda mais pixado nestas telas daqui pelo seu nanquim.
Aviso do vampiro aqui, vou continuar vebendo teu sangue nanquim.
Beijos.

Van disse...

JESTER
Que delícia de comentário. Mesmo. Porque vejo além das letras e até além das entrelinhas. Guardei comigo. Em redoma.
Beijucas

FELINEA
Brigada queridona. Bom poder me sentir assim, transbordante.
Miauuurrr!
=))))

PETÊ
Adoro escorrer. =)))
Beijucas

JOHN
Pensa bem: do alto da torre, as estrelas ficam mais perto!!! ;)
Agarre-se a elas.

TITA
Olha, tá decidido: a resenha do meu próximo livro (pela Editora Novitas, conhece? hehehe) será tua. Afff, como escreve bem. =)))
Beijo, amoreca.

ANTONIO
Quente é bom. Ler-te então... nem se fala.
Obrigada pelo belíssimo comentário.
Beijucas

MAGO
Ahhhhh que eu tava sentindo tua falta! =))) Você tem que estar sempre em modo ON aqui. ;) Foge mais não.
Beijucas

GERINHO
Ui, pode beber. Quanto mais me sorvem, mais eu transbordo e me sinto viva!
;)
Beijucas querido.

Ricardo Valente disse...

Boa como sempre. Tá chique o blogue... lindo! Beijão!

Matheus Blach disse...

Muito legal o blog!!! Parabéns!

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Matheus Blach
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http://matheusblach.blogspot.com
http://www.eclesia.supercriativa.com
http://www.supercriativa.com

Van disse...

RICARDO
Eita moço! Que saudades. Bom te ver aqui!!! =)))) Beijucas

MATHEUS
Bem-vindo e muito obrigada querido. ;) Beijucas

Anônimo disse...



Manuel de Falla, compunha de madrugada.
Acordava todo dia la pelas 14 horas e ia deitar-se as 7, invariavelmente...

vc ja deve ter ouvido o que ele compos, certamente...rs ( se não ouviu, corra...rsrs)

um beijo

Joe Brazuca

 
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