INEVITÁVEL ©

Não sei dizer do teu amor, mais que a latência que o forjou e o fez assim tão frágil e invencível.
Não sei dizer com qual matéria inflamável tu moldaste tua vida à minha.
Se houve uma implosão ou se tudo explodiu, inundando minha carne fresca e nua dos cacos e das luas do teu desejo partido. Ou se era tudo tão calmo e bucólico que até os lençóis brancos e perfumados, balançando ao vento no varal, paravam para sentir a força invisível e atômica do que tu me causavas.
Não. Não sei dizer do teu nome mais que a primeira letra. Aquela que me tocou com suas entrelinhas furiosas e famintas, puxando meus pelos, pulsando meus lábios, intumescendo meu grelo, derretendo em têmpera apaixonada o meu gelo.
Ah, que meu corpo é um altar perdido nos caminhos do tempo, em busca do teu desejo, doce desvelo; desvio de conduta ignorando o apelo: "Não posso. Não quero. Não devo." ... E me intoxica a distância do teu gosto, do teu querer, do teu cheiro...
Não, não sei dizer porquê não te tenho, nem tampouco dizer porquê não te esqueço. Meu amor é esse inexperiente tropeço. Um labirinto sem saída. Um voo sem asas no teu precipício. E é por isso que é tão difícil.
Não sei dizer se amar-te me cura ou me sangra. Não sei saber se amar-te me salva ou me prende ou se é o meu vício.
Não sei dizer de te amar, mais que a tempestade que se forma em mim quando te sinto. Mais que a força inevitável do vulcão cuspindo sua lava quente em minha pele exposta.
Assim entendo que é hora de abrir-me ao sacrifício. Deixar-me molhar, deixar-me queimar. Acabar de vez com esse suplício. Entregar minha carne, minha alma, meu amor doce e lubrificado ao teu penetrar de rimas e feitiços, de contos e continuações.
Descobrir de uma vez onde se encontra o teu início. E ali findar-me. Ser teu ponto final.
Aprender a dizer teu nome bem alto, como num sobressalto. Penetrante como um raio.
Chegar ao começo de ti. E então nascer-me inteira...
na pele despida, no tesão que palpita e revela, gravado em relevo: teu nome completo!



Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
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17 MIL RECADINHOS:

glória disse...

tão intenso que corta, que retesa o sentido verbo na carne. esse texto tem odor, textura sensível.

"ser teu ponto final"

diz tudo!

parabéns, amei!

Andreza disse...

Suas palavras sempre intensas e suaves ao mesmo tempo me encantam! Inebriante, forte, delicioso!

Jester disse...

Nossa, Van! Por onde eu começo? Primeiro que tá tudo lindo! Depois, que coragem! Teu texto é sensualíssimo e cheio de erotismo. E repleto de sentimento. Verdadeiro espetáculo!

Carlos Couto disse...

Bem, Van, não posso (não consigo) fazer um comentário imparcial, gosto do que você faz!
Teu texto é intenso, quente e assumido. Aqui não existe espaço para meias palavras nem entrelinhas, a mensagem é saborosamente absorvida, no todo. Parabéns!
ósculo/carlos
ah, aceitei o convite, faça o mesmo: "Que tal aparecer?
Vem me ler e comentar.
;)"...

Du disse...

Nossa Van... que texto intensamente lindo! E o seu blog também é uma maravilha poética, adorei! Vou levar o teu link lá pro meu, assim não esqueço de voltar!
Parabéns querida, estou encantada! \o/
Obrigada por me enviar o link!
Beijão

bia martins disse...

Inevitável nao encantar aqui...
quero sempre voltar!
"Chegar ao começo de ti"

um bjo flor! ^^

bia martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arcebispo disse...

Palavras tão bonitas como a alma de quem as juntou e deu forma.
Confissão, declaração, sonho, ambição, desejo, realidade, inevitabilidade, ficção, realidade... de tudo isto tem cheiro e sentimento no ler.
Sabes, gostava que um dia alguém escrevesse isto, assim, para mim.

Um beijo que atravesse o oceano para chegar até ti.

Denison Mendes disse...

lindo demais! desde que me atrevi a entrar neste mundo de palavras e sentimentos virtuais ou, digo, de imaginários reais, apaixonei-me por estas mulheres de textos intensos, não por serem mulheres, mas por serem o além do divino. beijos. denison.

Sandra Leite disse...

" não sei dizer do teu nome mais que a primeira letra".

(.....) fiquei suspensa entre parenteses, a espera do resgate.

Mas não posso dizer a primeira letra do nome dele. Digo apenas que amo.

Lindo, Van !!!!!

Antonio Sávio disse...

Forte, intenso. Um mergulho na realidade de cada íntimo. Um convite a reflexão sem possibilidade do leitor negar-se.
Ótimo.

Rodolfo disse...

Este texto foi... a coisa mais idiota que eu li desde que mudaram o rótulo da maionese Hellmann's e colocaram novo texto nas informações nutricionais.

Sucesso.

Van disse...

Os idiotas que gostam de criticar inútil e gratuitamente sempre são covardes demais pra deixar rastros e links... ¬¬
Tsc, tsc.
Shame on you.

Van disse...

Ah sim... e antes que eu me esqueça: Eu SOU e SEREI SEMPRE, um sucesso!
;)

Denison Mendes disse...

este tal de rodolfo deve ser aquele tipo de babaca que não serve para coisa alguma e fica projetando nos outros os seus fracassos. o pior é que é covarde e fica escondido para não denunciar a imbecilidade que carrega na sua infeliz existência.
denison mendes
meu nome está aí.

Denison Mendes disse...

em tempo: não tem a mínima condição de fazer um comentário coerente, mesmo não gostando do texto. utiliza do expediente mais rasteiro para desqualificar o que, na verdade, desconhece. vou parar por aqui, pois já perdi muito tempo com esta ameba, com todo respeito as amebas.
denison mendes

Du disse...

Van, não se deixe abalar por qualquer Rodolfo da vida, eles não merecem nem tua réplica!

Beijos, querida!

 
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