A PRIMAVERA LATENTE©

Adoro despetalar meus poemas e atirar, atrevida, as pétalas à tua boca.©

"A primavera é quando ninguém mais espera
E desespera tudo em flor
A primavera é quando ninguém acredita
E ressuscita por amor" ¹
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A minha primavera repousa em teu olhar.
Distante e cômoda, eu me aninho no cheiro intoxicante que emana do meu desejo
descoberto e novo. Lá fora, nem as flores têm tanta cor quanto o que dentro de mim começa a nascer...
Nem o cheiro de todos os jardins descreve o que eu sinto quando te vejo estampado em preto e branco num longínquo existir de palavras perfeitas.
A minha primavera rompe decididamente os dias e as noites e caminha errante e indecisa até o lugar onde tu estás. E repousa. E te observa.
E te engole. E te toca. E te quer. E te cria.

A minha primavera é urgente!
E vê-se presa ao
querer-te assim tão de repente. Torna-se pulso e latente. Volátil e veemente. Insaciável e instigante.
A minha primavera, pra nascer, precisa de ti. Precisa do teu beijo, da tua boca... Da tua língua.
No corpo, nos lábios, no seio, no sexo.

As tuas pétalas eu as como todas, uma a uma. E o teu gosto entra em mim, completo e desconhecido, derretendo-se na minha saliva, domando o meu hálito, penetrando na minha boca e inundando o meu corpo.
Como-te.
Trago-te com a língua pra dentro de mim - mistério e abismo.
Com as pétalas machucadas pelos meus dentes, dou-te de beber um vermelho vivo e amargamente doce, como o amor.
Eu te ofereço a vida que escorre, que voa, que me molha. A minha primavera te vê e te adora.
A minha estação combina com a tua. A tua poesia combina com a minha.
A minha primavera decifra os teus números. E te desvenda e desnuda.
E subitamente ama.
E amar é sempre um risco que eu gosto de correr. Só sei nascer se for pra amar. Só sei cantar se for pra sentir
(te).
Sou feita assim de cor e fênix e aprendi a ser inteira pra ti.
"Aprendi com a primavera a me deixar cortar e a voltar, sempre inteira"
. ²
Receba-me.
Nascente. Nua. Intrínseca. Ardente.
A minha primavera é inteiramente tua.

A minha primavera te espera e te explode e te come e te devora. Pra te sentir nascendo, rompendo e crescendo, polinizando minhas entranhas. Lambendo-me. Visceral e gula.
A minha primavera te quer e te supõe. E põe-se toda a se abrir, oferecida, para a tua vida entrar. Só falta o teu chegar.

A minha primavera é te amar!



Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados ©

A PRIMAVERA LATENTE© by Van Luchiari is licensed under a
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¹ - J.M. Wisnik / ² - Cecília Meireles / * Quadro - Gustav Klimt

7 MIL RECADINHOS:

Thainá Rosa disse...

Moça,como você consegue respirar poesia assim? Tuas palavras são cheias de intensidade!Gosto muito!
Parabéns!

Osmar Reyex disse...

Sem trocadilho besta, a prima Vera foi a minha iniciação sexual...Como esquecer isso?

Michael disse...

Van, quero deixar expresso aqui, para que todos possam ver, que é um prazer indescritível seguir-te no twitter, e ser agraciado e enriquecido com as pepitas de ouro em prosa e com as pérolas de seus versos durante o estafante dia/noite que enfrentamos odiernamente.

Fiquei estarrecido com a beleza do verso "A Primavera Latente (c)".

Meus parabéns!

Jester disse...

Van, querida, uma primavera repleta de flores pra você! Grande beijo!

Van disse...

THAINÁ
Querida, obrigada. Vez em quando eu consigo toscamente, deixar em palavras o que tenho por dentro...
Obrigada por ver-me.
Beijucas

Van disse...

OSMAR
kkkkkkkkkkkkkk
Figura!
Beijucas

MICHAEL
Eu que agradeço, moço.
Teus contos são ótimos.
Estarei por perto. Fique tb.
Beijuca

Van disse...

JESTER
E já a sinto mais fresca e florida agora, com tua presença. ;) Obrigada, querido. Meu carinho a ti.
Beijuca

 
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