VÉSPERA©

Vivo na véspera do meu corpo.
Num sonho onde tudo é ontem, tudo é ido.
Na véspera da minha pele moram meus sussurros.
Na véspera do meu corpo moram teus veludos...
Nas minhas mãos.


É na minha própria véspera
que eu me deleito, deito e acordo.
Na véspera de mim mesma mora uma escuridão.
Mora uma noite.
Um céu estrelado, confuso e misterioso.
Na véspera do meu corpo equilibra-se o infinito...
Nos meus pés.


Vivo na minha própria véspera.
Urgentemente.
Na véspera da minha pele existe a tua pele.
Na véspera do meu corpo mora um abismo.
Mora a solidão. Mora um risco.
Contorce-se um doer. Morre um beijo...
Na minha boca.


Na véspera do meu corpo
vive uma nudez estranha.
Um desnudar-se encabulado e oculto.
Na véspera do meu ser vive um descanso,
um êxtase, um grito.
Na véspera do meu corpo eu escorro.
Languidamente...
Na tua língua.


Mora na minha véspera o latente que explode.
Inegavelmente. Diariamente.
No meu gozo.


Nem mesmo o presente ou o futuro existem.
Sou a minha véspera.
Pra sempre.



Van Luchiari ©
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12 MIL RECADINHOS:

Evandro de Souza Gomes disse...

"Sou a minha véspera. Pra sempre"
Lindo!
Van, já criaste escola. E mais do que isso, tua poesia se tornou matéria obrigatória.
Tá mais do que na hora a publicação do teu livro.

Bjs!

Evandro Gomes

Cristiano Melo disse...

Sermos/estarmos neste momento "véspera", é algo caótico e sufocante, não há como servir o gozo do presente, mas é quase, pois véspera é quase presente, mais que passado. Um pre-quase-gozo, de onde se pode observar com cautela para onde ir, em meio ao caos da vida.

Embaralhei-me todo na véspera de mim!

beijos

EAD/JOYCE disse...

Concordo totalmente com o poeta Evandro, amiga. Adoro seus poemas, esse é muito erótico.

Luiz Lailo disse...

Um bom comentário é tudo de bom!
E eu acho tão difícil comentar poesia...
Quando chego numa poesia, leio, pausadamente. E verifico se há música, se há métrica, se não tropeço nas palavras.
Me senti muito confortável lendo VÉSPERA. Por certo esses versos inspirariam uma bela música. É isso.

Abração

odila-garcia disse...

Gosto de todos os seus poemas, mas esse realmente é diferente, penetrante e fascinante. Simplesmente maravilhoso e de um profundo significado."Vespera".
"Na véspera da minha pele existe a tua pele". "Apaixonante".
Beijo
Odila

paulo disse...

Estas vésperas identificadas por ti é que te levam aos "dias seguintes" e lá é que a química se realizada.

É isto, Van

Beijo

Anônimo disse...

dsadasdasdasd adsdasdadasd asdasdasdasdsadas dasdadadsadadsa dasdasddsa dsa dsadasdadas dsadasda dsadadas

José María Souza Costa disse...

Belissimo
Passei aqui lendo. Vim lhe desejar um Tempo Agradável, Harmonioso e com Sabedoria. Nenhuma pessoa indicou-me ou chamou-me aqui. Gostei do que vi e li. Por isso, estou lhe convidando a visitar o meu blog. Muito Simplório por sinal. Mas, dinâmico e autêntico. E se possivel, seguirmos juntos por eles. Estarei lá, muito grato esperando por você. Se tiveres tuiter, e desejar, é só deixar que agente segue.
Um abraço e fique com DEUS.

http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

Joakim Antonio disse...

Perfeito!

Somos e vivemos às vésperas do que seremos.

Beijos

Barbara C disse...

Bom =)

viver na véspera do proprio corpo.


beijos

Poesia Cibernetica disse...

O blog é maravilhoso e os poemas de perder o folego...super!!!!!!!

Jefferson Fernandes disse...

Van,

Sempre acho que senti o êxtase de percorrer tuas letras, mas ao final de cada palavra percebo que sempre estou "À VÉSPERA" de tal decoberta.

Beijucas!

 
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