NAU DA SOLIDÃO

*E eu que queria que o amor fosse apenas doce, calmaria; eu que desejei que o amor fosse tão fácil quanto um silêncio quieto de domingo, que fosse tão vivo e fresco, tão companhia. E eu que apenas desejei que o amor me acompanhasse nesse dia tão chuvoso, de intenções amenas; que me fosse aconchego e horizonte. Eu que tanto quis o porto seguro do amor, que ele fosse cais onde ancorar meu cansaço... essa exaustão de tantos mares, típica de quem rema há tanto tempo contra a própria tempestade, contra o próprio redemoinho.
Eu que quis o amor aqui ao lado, querendo as mesmas viagens que eu... fiquei a ver navios.
Depois dizem que amar não doi. Amar doi. Doi feito tormenta, ondas gigantescas engolindo a nau do acreditar. E eu, que só queria uma ilha onde ir ter com o amor entardecido, fiquei ali, à deriva de tudo. À deriva de mim, do amor, do fim do dia. Tête-à-tête com a solidão.

#vanluchiari

Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional. 
Todos os direitos reservados © 
NAU DA SOLIDÃO © by Van Luchiari is licensed under a 
Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial- 
Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License



3 MIL RECADINHOS:

Macy disse...

Amei seus escritos. Que os deuses dos pensamentos lhe sejam pródigos em inspiração.

Du disse...

O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova - [Gilbert Keith Chesterton]

Feliz Natal, queridíssima! :D

Rita Ribeiro disse...

Parabéns pelo blog e pelos textos, ainda não li muito, mas voltarei.^^
Parabéns.
Seguindo...

Bjs

 
©2009 VAN FILOSOFIA! | by Van Luchiari