BIG BANG



*Vai chegar um dia em que eu vou me cansar dessa minha cara séria, desse meu jeito quieto e desengonçado dentro desse corpo relativamente novo que eu ainda não conheço e não gosto.
Vai ter um momento em que tudo o que eu tento ser desde sei lá quando e tudo isso que eu me tornei vai quebrar. Vai quebrar ao meio e ruir. Ruir desastrosamente. Feito vulcão. E espirrar pra todo lado.
Aí, quem sabe, nessa pequena morte, eu não enfie o pé na jaca nas coisas que eu não vivi.
Quem sabe eu pare de comer. Ou quem sabe eu trepe com meio mundo. Quem sabe eu beba até cair em todas as tentações. E depois de tanto arrebatamento me desesperar e tontear minhas convicções, depois disso tudo me desestruturar completamente, quem sabe eu consiga dormir. Dormir profunda e longamente para descansar de mim, de tudo, de toda merda do mundo. Vai ver.
Vai ver talvez, depois da minha destruição eu consiga existir de forma satisfatória.
Quem sabe.


Van Luchiari ©
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Ilustração: Rachael Shankman

4 MIL RECADINHOS:

Noslen ed azuos disse...

vc me deu uma boa ideia rs

ns

Van disse...

NOSLEN
Que bom. ;) Aproveite-a.
Beijucas

Manuel Pintor disse...

Quem sabe?

gdec disse...

Gostei do seu Big-bang -Há tanto tempo que não nos vemos-
Também tenho um -Big-bang

Big-Bang


Ela é uma mulher
bem bonita até
mas há tantas
não é?
Ela se veste bem
tem muito gosto até
mas há tantas
não é ?
Quando ela anda na rua
a rua treme até
mas há tantas
não é ?
Ela vive sozinha
o que lamento até
mas há tantas
não é.
Sua voz não conheço
e tenho pena até
mas há tantas
não é.
Ela dorme sozinha
sem roupa alguma, até
-não sei como é que sei-
mas...há tantas
não é ?
Ela gosta de mim
é muito bom, até
mas há tantas...
não é ?

Mas quando escreve, ela
desdobra o seu pensar
então vemos a ela
como se ali estivesse
um deus bom a criar.
Seus olhos já não são
uns olhos para sonhar
seus olhos são abismos
que nos vão afogar.
O que ela diz, mulher
quando está a escrever
não dá para aceitar
não dá para entender
porque entendemos,sim
o que compreendemos
não entendemos,não
o que nós não sabemos.
Mas ficamos pregados
ao som do pensamento
como se assistíssemos
ao primeiro momento

antes do big-bang

Geraldes de Carvalho
beijo gdec

 
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