DE MIM

*Desse muito de mim que ficou para trás eu aprendi o vazio, a falta, a saudade.
Aprendi os ruídos que fazem os espaços ocos, as memórias,
os desejos empoeirados, esquecidos nas gavetas profundas da pele.
Desse muito de mim que já não sou, extraí a melancolia,
a umidade vazia dos dedos, a latência dos lábios,
a sépia do sentir, o silêncio dos arrepios.
Esqueci-me um quanto.
Tantas e tantas vezes nem fui-me antes de findar.
E findei-me, pendente, cadente, longe, bem longe de qualquer antes.
A milhas e milhas e milhas e milhas do agora.

 #vanluchiari



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3 MIL RECADINHOS:

Isa Lisboa disse...

O Eu que fica para trás, mas está sempre lá...!
Gostei muito desta viagem, por milhas e milhas.

Beijo, bom domingo.

Lu Guedes disse...

E no findar existe ainda o recomeçar onde tudo é para depois, mas acaba mesmo sendo para agora.

bacio

Vicente Siqueira disse...

Desse muito de mim, de ti, de nós... o que fica para trás?
Doces...

 
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